Adenocarcinoma Esofágico: Fatores de Risco e DRGE

Hospital Alemão Oswaldo Cruz (SP) — Prova 2022

Enunciado

Homem, 59 anos de idade, evoluiu com disfagia progressiva há 3 meses e perda de 5 kg no período. Foi submetido a endoscopia digestiva alta que evidenciou lesão ulcerada no esôfago distal, ocupando 70% da luz do órgão. A biópsia revelou tratar-se de adenocarcinoma. Qual é o principal fator de risco para este tipo de tumor?

Alternativas

  1. A) Acalásia avançada.
  2. B) Tagabismo.
  3. C) Doença do refluxo gastroesofágico.
  4. D) Ingestão de bebida quente.
  5. E) Infecção por H. pylori.

Pérola Clínica

Adenocarcinoma esofágico distal → principal fator de risco = DRGE crônica → Esôfago de Barrett.

Resumo-Chave

O adenocarcinoma de esôfago distal está fortemente associado à Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) crônica, que pode levar ao Esôfago de Barrett. Essa metaplasia intestinal é considerada uma condição pré-maligna e o principal precursor do adenocarcinoma esofágico. Outros fatores como tabagismo contribuem, mas a DRGE é o mais proeminente.

Contexto Educacional

O adenocarcinoma de esôfago é uma neoplasia maligna que tem apresentado aumento de incidência nas últimas décadas, especialmente em países ocidentais. Ele tipicamente afeta o terço distal do esôfago e a junção esofagogástrica. A apresentação clínica clássica envolve disfagia progressiva e perda de peso, o que deve levantar a suspeita em pacientes de meia-idade ou idosos. O diagnóstico é feito por endoscopia digestiva alta com biópsia da lesão. O principal fator de risco para o desenvolvimento do adenocarcinoma de esôfago é a Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) crônica. A exposição prolongada da mucosa esofágica ao conteúdo gástrico ácido e biliar leva à inflamação e, em alguns casos, à metaplasia intestinal, uma condição conhecida como Esôfago de Barrett. O Esôfago de Barrett é considerado uma lesão pré-maligna, com risco aumentado de progressão para displasia e, subsequentemente, adenocarcinoma. Outros fatores de risco incluem obesidade, tabagismo e história familiar. É crucial diferenciar o adenocarcinoma do carcinoma epidermoide de esôfago, que possui fatores de risco distintos (principalmente tabagismo e etilismo) e geralmente afeta o esôfago médio e superior. O manejo da DRGE e o rastreamento de pacientes com Esôfago de Barrett são importantes para a prevenção e detecção precoce desta neoplasia agressiva.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas clássicos do adenocarcinoma de esôfago?

Os sintomas mais comuns incluem disfagia progressiva (dificuldade para engolir, inicialmente para sólidos, depois para líquidos), perda de peso inexplicada, dor retroesternal, odinofagia (dor ao engolir) e, em casos avançados, anemia e hemorragia digestiva.

Como a Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) leva ao adenocarcinoma de esôfago?

A DRGE crônica causa exposição prolongada da mucosa esofágica ao ácido gástrico e bile, levando a inflamação e, em alguns indivíduos, à metaplasia intestinal, conhecida como Esôfago de Barrett. Esta condição pré-maligna pode progredir para displasia e, eventualmente, adenocarcinoma.

Qual a diferença entre adenocarcinoma e carcinoma epidermoide de esôfago em termos de fatores de risco?

O adenocarcinoma de esôfago está fortemente associado à DRGE crônica e ao Esôfago de Barrett, afetando predominantemente o esôfago distal. Já o carcinoma epidermoide está mais relacionado ao tabagismo, consumo excessivo de álcool e ingestão de bebidas muito quentes, sendo mais comum no esôfago médio e superior.

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