IDPC/Dante Pazzanese - Instituto de Cardiologia (SP) — Prova 2025
Homem, de 53 anos de idade, em acompanhamento oncológico por adenocarcinoma de esôfago distal. Está em uso de sonda nasoenteral para nutrição, com meta calórica adequada. Ao exame físico, encontra-se emagrecido com IMC = 19 kg/m², descorado 1+/4+, sem linfonodomegalias cervicais palpáveis e sem alterações no exame abdominal. Realizou tomografias de tórax e abdome, com identificação de lesão restrita ao esôfago. Para conclusão do estadiamento, foi realizado exame de PET-CT, ilustrado a seguir: Qual é o tratamento indicado para esse paciente neste momento?
Adenocarcinoma de esôfago distal T2+/N+ → Quimiorradioterapia Neoadjuvante (CROSS).
O tratamento padrão para o câncer de esôfago localmente avançado é a quimiorradioterapia neoadjuvante seguida de cirurgia, visando o controle locorregional e sistêmico.
O adenocarcinoma de esôfago distal tem apresentado aumento de incidência, frequentemente associado ao esôfago de Barrett e refluxo crônico. O estadiamento preciso com ecoendoscopia e PET-CT é vital. Para pacientes com doença localmente avançada (como sugerido pelo emagrecimento e necessidade de sonda enteral), a quimiorradioterapia neoadjuvante é o padrão ouro. Este tratamento visa o 'downstaging' do tumor e a eliminação de micrometástases, permitindo uma esofagectomia posterior com margens livres e melhor prognóstico a longo prazo.
O protocolo CROSS estabeleceu o uso de quimiorradioterapia neoadjuvante (carboplatina e paclitaxel associados a 41,4 Gy de radiação) seguida de cirurgia para tumores de esôfago e junção esofagogástrica. Ele demonstrou aumento significativo na sobrevida global e na taxa de ressecção R0 em comparação com a cirurgia isolada.
O PET-CT é fundamental para detectar metástases à distância que não são visíveis na TC convencional, o que mudaria a conduta de curativa para paliativa. Além disso, ajuda na avaliação da resposta à terapia neoadjuvante e no planejamento dos campos de radioterapia.
A cirurgia isolada (ou ressecção endoscópica) é reservada para tumores muito precoces, restritos à mucosa (T1a) ou submucosa (T1b), sem evidência de comprometimento linfonodal (N0). Para qualquer tumor T2 ou superior, ou com linfonodo positivo, a terapia multimodal é preferida.
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