Adenocarcinoma de Esôfago e Barrett: Relação com DRGE

SES-RJ - Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro — Prova 2026

Enunciado

Homem, 58 anos, apresenta pirose de longa data, pior após refeições copiosas e associada à regurgitação. Refere perda de peso de 6 kg nos últimos 3 meses e disfagia progressiva para sólidos. Considerando a contextualização apresentada, assinale a alternativa correta:

Alternativas

  1. A) O carcinoma epidermoide de esôfago é mais prevalente em países ocidentais e está relacionado à obesidade.
  2. B) A esofagite erosiva crônica não apresenta risco de evolução para neoplasia de esôfago.
  3. C) A endoscopia digestiva alta está indicada como rastreamento anual em todo paciente com pirose, mesmo sem sinais de alarme.
  4. D) A principal indicação cirúrgica no tratamento da Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) é a presença de pirose leve bem controlada com inibidores de bomba de prótons.
  5. E) O adenocarcinoma de esôfago está fortemente associado ao esôfago de Barrett, complicação da DRGE crônica.

Pérola Clínica

DRGE crônica → Esôfago de Barrett → Adenocarcinoma de esôfago.

Resumo-Chave

O adenocarcinoma de esôfago é uma complicação grave da DRGE crônica, originando-se da metaplasia intestinal (Esôfago de Barrett) em resposta à agressão ácida persistente.

Contexto Educacional

A Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) é uma condição prevalente caracterizada pelo fluxo retrógrado do conteúdo gástrico para o esôfago. Embora a maioria dos pacientes apresente sintomas típicos como pirose e regurgitação, a exposição crônica ao ácido pode levar a complicações estruturais. O Esôfago de Barrett ocorre em cerca de 10-15% dos pacientes com DRGE crônica e representa um estado pré-maligno. O manejo clínico foca no controle dos sintomas com IBP e mudanças no estilo de vida. A cirurgia antirrefluxo (fundoplicatura) é indicada principalmente para pacientes com controle incompleto dos sintomas, intolerância aos medicamentos ou grandes hérnias de hiato, mas não há evidência definitiva de que a cirurgia interrompa a progressão do Barrett para adenocarcinoma de forma mais eficaz que o tratamento clínico rigoroso. A presença de disfagia e perda de peso em um paciente com DRGE de longa data deve sempre levantar a suspeita de estenose péptica ou neoplasia.

Perguntas Frequentes

O que define o Esôfago de Barrett e qual sua importância?

O Esôfago de Barrett é definido pela substituição do epitélio escamoso estratificado normal do esôfago distal por epitélio colunar metaplásico com células caliciformes (metaplasia intestinal). Esta condição é uma resposta adaptativa à agressão crônica causada pelo refluxo gastroesofágico (ácido e biliar). Sua importância clínica reside no fato de ser a única lesão precursora conhecida para o adenocarcinoma de esôfago. Pacientes com Barrett apresentam um risco significativamente elevado de desenvolver neoplasia, o que justifica protocolos de vigilância endoscópica periódica com biópsias para detectar displasias de baixo ou alto grau antes da progressão para câncer invasivo.

Quais são os principais sinais de alarme na DRGE que indicam EDA?

Os sinais de alarme na Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) que impõem a realização imediata de uma Endoscopia Digestiva Alta (EDA) incluem: disfagia (dificuldade de engolir), odinofagia (dor ao engolir), perda de peso não intencional, anemia ferropriva, evidência de sangramento digestivo (hematêmese ou melena), vômitos persistentes e história familiar de câncer gastroesofágico. Além disso, pacientes com sintomas refratários ao tratamento com Inibidores de Bomba de Prótons (IBP) ou homens com mais de 50 anos com sintomas crônicos (mais de 5 anos) e fatores de risco adicionais (obesidade, tabagismo) também devem ser rastreados para Esôfago de Barrett.

Qual a diferença epidemiológica entre CEC e Adenocarcinoma de esôfago?

Historicamente, o Carcinoma Espinocelular (CEC) era o tipo mais comum de câncer de esôfago globalmente, fortemente associado ao tabagismo, consumo excessivo de álcool, ingestão de bebidas muito quentes e acalásia, localizando-se preferencialmente no terço médio do órgão. No entanto, nas últimas décadas, houve um aumento dramático na incidência de Adenocarcinoma nos países ocidentais, superando o CEC em algumas populações. O Adenocarcinoma localiza-se no terço distal, próximo à transição esofagogástrica, e seus principais fatores de risco são a DRGE crônica, a obesidade central e o Esôfago de Barrett, refletindo mudanças no estilo de vida e na prevalência de obesidade.

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