Adenocarcinoma de Esôfago: Tratamento Neoadjuvante e Cirurgia

IDOR - Instituto D'Or de Pesquisa e Ensino - Rede D'Or (RJ) — Prova 2024

Enunciado

Paciente de 55 anos, acompanhado por doença do refluxo gastroesofágico há mais de 10 anos, busca atendimento por disfagia nos últimos 3 meses e perda ponderal (5 Kg). Traz exames: endoscopia digestiva alta que evidenciou lesão infiltrativa em esôfago distal de cerca de 5 cm, circunferencial e estendendo-se até próximo à transição esofagogástrica – biópsia indicando adenocarcinoma; tomografia computadorizada de tórax e abdome indicando linfonodomegalia próxima à lesão e ausência de metástases à distância. A melhor opção de conduta é:

Alternativas

  1. A) Tratamento neoadjuvante seguido de esofagectomia transtorácica 
  2. B) Esofagectomia subtotal trans-hiatal
  3. C) Esofagectomia em 3 campos seguida de radioterapia adjuvante
  4. D) Gastrectomia total com esofagectomia distal seguida de quimioterapia adjuvante

Pérola Clínica

Adenocarcinoma de esôfago distal ressecável com linfonodos regionais → tratamento neoadjuvante + esofagectomia.

Resumo-Chave

Em pacientes com adenocarcinoma de esôfago distal ressecável e evidência de linfonodos regionais (estágio II ou III), a abordagem padrão ouro é o tratamento neoadjuvante (quimioterapia e/ou radioterapia) seguido de esofagectomia, o que melhora as taxas de ressecção R0 e a sobrevida global.

Contexto Educacional

O adenocarcinoma de esôfago distal é uma neoplasia maligna que tem aumentado em incidência, frequentemente associada ao esôfago de Barrett e à doença do refluxo gastroesofágico crônica. A disfagia progressiva e a perda ponderal são sintomas de alerta que exigem investigação imediata com endoscopia digestiva alta e biópsia. O estadiamento preciso é crucial para definir a conduta. A tomografia computadorizada de tórax e abdome, PET-CT e ultrassonografia endoscópica são exames essenciais para avaliar a extensão do tumor, o envolvimento linfonodal e a presença de metástases à distância. O caso descrito, com lesão infiltrativa em esôfago distal e linfonodomegalia regional, mas sem metástases à distância, configura um tumor localmente avançado, mas ressecável. Para adenocarcinomas de esôfago localmente avançados (estágios II e III), a abordagem padrão ouro é o tratamento multimodal, que consiste em terapia neoadjuvante (quimioterapia e/ou radioterapia) seguida de esofagectomia. A neoadjuvância visa reduzir o tamanho do tumor, esterilizar linfonodos e aumentar as chances de uma ressecção R0 (sem doença residual microscópica), o que está associado a melhor prognóstico. A esofagectomia transtorácica é uma técnica cirúrgica complexa, mas eficaz para a ressecção desses tumores.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para adenocarcinoma de esôfago distal?

Os principais fatores de risco incluem doença do refluxo gastroesofágico crônica, esôfago de Barrett, obesidade e tabagismo. A DRGE de longa data é um fator predisponente importante para o desenvolvimento de Barrett e, consequentemente, adenocarcinoma.

Qual a importância do tratamento neoadjuvante no câncer de esôfago?

O tratamento neoadjuvante (quimioterapia e/ou radioterapia antes da cirurgia) tem como objetivo reduzir o tamanho do tumor, tratar micrometástases, aumentar a taxa de ressecção completa (R0) e melhorar a sobrevida global em tumores localmente avançados.

Quais são as opções cirúrgicas para o câncer de esôfago?

As principais opções cirúrgicas incluem a esofagectomia transtorácica (Ivor Lewis ou McKeown) e a esofagectomia trans-hiatal. A escolha depende da localização do tumor, estadiamento e experiência da equipe cirúrgica, sendo a transtorácica geralmente preferida para tumores distais e junção esofagogástrica.

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