USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2020
Homem, 63 anos, em acompanhamento em Unidade Básica de Saúde por conta de queixa de azia há mais de 10 anos, vem apresentando disfagia para alimentos sólidos. Realizou exame de endoscopia digestiva alta que revelou lesão ulcerada, subestenosante na região do esôfago distal até a transição esôfago-gástrica. A biópsia está em análise. Qual é a principal suspeita anátomo-patológica e a próxima etapa para estadiamento do caso, de acordo com esta hipótese?
Azia crônica + disfagia + lesão em esôfago distal → Adenocarcinoma esofágico; estadiamento inicial com TC de pescoço, tórax, abdome e pelve.
A história de azia crônica por mais de 10 anos, disfagia e lesão em esôfago distal/transição esôfago-gástrica sugere fortemente adenocarcinoma esofágico, frequentemente associado ao Esôfago de Barrett. O estadiamento inicial completo é feito com TC de pescoço, tórax, abdome e pelve para avaliar metástases à distância e linfonodos.
O adenocarcinoma de esôfago tem se tornado o tipo histológico mais comum em países ocidentais, superando o carcinoma espinocelular, especialmente no esôfago distal e na junção esôfago-gástrica. Sua principal associação é com o Esôfago de Barrett, uma metaplasia intestinal do epitélio esofágico causada pela exposição crônica ao refluxo gastroesofágico. Pacientes com história de azia prolongada e sintomas como disfagia progressiva para sólidos devem levantar a suspeita. A disfagia é um sintoma alarmante que indica doença avançada, geralmente quando a luz esofágica está reduzida em mais de 50%. A endoscopia digestiva alta com biópsia é o método diagnóstico padrão ouro. Uma vez confirmada a malignidade, o estadiamento é fundamental para guiar o tratamento. O estadiamento do câncer de esôfago envolve a avaliação da extensão local, regional e à distância. A tomografia computadorizada (TC) de pescoço, tórax, abdome e pelve é o exame de imagem inicial e essencial para identificar metástases à distância e avaliar o envolvimento linfonodal. Outros exames como PET-CT e ultrassonografia endoscópica podem ser utilizados para um estadiamento mais preciso, dependendo do caso e da disponibilidade. O tratamento pode incluir cirurgia, quimioterapia e radioterapia, ou uma combinação delas.
Os principais fatores de risco incluem doença do refluxo gastroesofágico crônica, Esôfago de Barrett, obesidade, tabagismo e dieta rica em gorduras, sendo o Esôfago de Barrett a principal lesão precursora.
A tomografia completa é crucial para avaliar a extensão da doença, identificar linfonodos regionais e metástases à distância (pulmão, fígado, ossos, etc.), auxiliando na definição do plano terapêutico e prognóstico.
O adenocarcinoma geralmente se localiza no esôfago distal e está associado à história de refluxo e Esôfago de Barrett. O carcinoma espinocelular é mais comum no esôfago médio e proximal, com fatores de risco como tabagismo e etilismo. A biópsia é essencial para a confirmação histopatológica.
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