HIAE/Einstein - Hospital Israelita Albert Einstein (SP) — Prova 2023
Mulher, 62 anos de idade, hipertensa, obesa e diabética refere queixa de sangramento vaginal há 3 meses. Sem alterações no exame físico. No ultrassom transvaginal identificou-se espessamento endometrial (8 mm). Realizada histeroscopia e biópsia do endométrio com resultado anatomopatológico de adenocarcinoma endometrioide do endométrio G1. Pela ressonância magnética, o tumor invade menos que a metade do miométrio. A conduta mais adequada a ser tomada é realizar histerectomia total com
Ca Endométrio G1 + invasão <50% → Histerectomia + Salpingooforectomia + Lavado.
No adenocarcinoma de endométrio de baixo risco (G1 e invasão miometrial <50%), o tratamento padrão envolve a remoção do útero e anexos com avaliação citológica peritoneal.
O adenocarcinoma de endométrio é a neoplasia ginecológica mais comum em países desenvolvidos, frequentemente diagnosticada em estágios iniciais devido ao sintoma precoce de sangramento vaginal pós-menopausa. O tipo endometrioide (Tipo I) é estrogênio-dependente e possui melhor prognóstico que os tipos serosos ou de células claras (Tipo II). O estadiamento é fundamentalmente cirúrgico-patológico. A conduta cirúrgica primária para o estágio IA G1 foca na remoção da fonte tumoral (útero) e dos locais de disseminação microscópica comum (tubas e ovários). A avaliação da invasão miometrial por RM ou congelação intraoperatória é crucial para definir a necessidade de linfadenectomia. Em pacientes com baixo risco de metástase linfonodal, a preservação da cadeia linfática evita complicações significativas sem comprometer a sobrevida global.
A linfadenectomia pélvica e para-aórtica é geralmente indicada em tumores de alto risco, como tipos histológicos não-endometrioides (seroso, células claras), tumores G3 ou quando há invasão miometrial profunda (≥ 50%). Em casos de baixo risco, como o adenocarcinoma endometrioide G1 com invasão superficial, a tendência atual é a omissão da linfadenectomia sistemática ou a realização da técnica do linfonodo sentinela, visando reduzir a morbidade cirúrgica, como o linfedema de membros inferiores crônico.
Embora a FIGO tenha removido o lavado peritoneal positivo como critério isolado para o Estágio IIIA em 2009, ele ainda é frequentemente coletado durante a cirurgia de estadiamento para fornecer informações prognósticas adicionais. A presença de células neoplásicas no líquido peritoneal pode influenciar a decisão de terapias adjuvantes em casos selecionados, embora não altere o estágio T na classificação atual se for o único achado extrauterino detectado durante o procedimento.
Os principais fatores de risco estão relacionados ao hiperestrogenismo sem oposição da progesterona. Isso inclui obesidade (devido à conversão periférica de androgênios em estrona no tecido adiposo), menarca precoce, menopausa tardia, nuliparidade, uso de tamoxifeno e condições genéticas como a Síndrome de Lynch. Diabetes mellitus e hipertensão arterial também são comorbidades frequentemente associadas a esse perfil de paciente, como observado no caso clínico apresentado.
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