Adenocarcinoma Endometrioide G1: Conduta e Estadiamento

HAS - Hospital Adventista Silvestre (RJ) — Prova 2026

Enunciado

Mulher, 65 anos de idade, hipertensa, obesa e diabética, refere sangramento vaginal há 7 meses. Identificou-se espessamento endometrial = 9 mm à ultrassonografia. O resultado da biópsia do endométrio evidenciou adenocarcinoma endometrioide G1. Qual a conduta a seguir?

Alternativas

  1. A) Histerectomia subtotal com salpingo-ooforectomia bilateral e coleta do lavado peritoneal.
  2. B) Histerectomia total com salpingectomia bilateral e coleta do lavado peritoneal.
  3. C) Histerectomia subtotal com salpingo-ooforectomia bilateral, linfadenectomia pélvica e periaórtica
  4. D) Histerectomia total com salpingectomia bilateral, linfadenectomia pélvica e periaórtica.
  5. E) Histerectomia total com salpingo-ooforectomia bilateral e coleta do lavado peritoneal.

Pérola Clínica

Sangramento pós-menopausa + espessamento endometrial → Biópsia → Histerectomia total + BSO + Lavado.

Resumo-Chave

O adenocarcinoma de endométrio tipo I (endometrioide) em estágio inicial exige estadiamento cirúrgico completo com histerectomia total, anexectomia bilateral e coleta de lavado peritoneal.

Contexto Educacional

O câncer de endométrio é a neoplasia ginecológica mais comum em países desenvolvidos, fortemente associado à obesidade, diabetes e exposição estrogênica sem oposição. O tipo histológico endometrioide (Tipo I) é o mais frequente e possui melhor prognóstico. O diagnóstico geralmente ocorre em estágios iniciais devido ao sintoma precoce de sangramento vaginal na pós-menopausa. O estadiamento é fundamentalmente cirúrgico (FIGO). A conduta padrão envolve a remoção completa do útero e anexos. A discussão sobre a extensão da linfadenectomia evoluiu para o uso do linfonodo sentinela, visando reduzir complicações como o linfedema, mantendo a capacidade de identificar metástases ocultas que indicariam necessidade de radioterapia ou quimioterapia adjuvante.

Perguntas Frequentes

Qual a cirurgia padrão para o câncer de endométrio inicial?

A cirurgia padrão para o câncer de endométrio, especificamente o adenocarcinoma endometrioide de baixo grau (G1), consiste na histerectomia total extrafascial associada à salpingo-ooforectomia bilateral (anexectomia). Além disso, a coleta de lavado peritoneal é uma etapa clássica do estadiamento cirúrgico para avaliação citológica, embora sua influência no estadiamento FIGO tenha sofrido alterações recentes, ainda é amplamente realizada na prática oncológica para guiar o prognóstico e terapias adjuvantes.

Por que realizar a salpingo-ooforectomia bilateral no câncer de endométrio?

A salpingo-ooforectomia bilateral é obrigatória porque o câncer de endométrio apresenta um risco significativo de metástases microscópicas para os ovários, mesmo em estágios aparentemente iniciais. Além disso, os ovários podem ser sítios de tumores sincrônicos ou fonte de estímulo estrogênico que favorece a progressão da doença endometrial. A preservação ovariana é considerada apenas em casos excepcionalíssimos em mulheres jovens com desejo reprodutivo e tumores de baixíssimo risco, sob protocolos rigorosos.

Quando a linfadenectomia é indicada no câncer de endométrio?

A linfadenectomia pélvica e para-aórtica é indicada em tumores de alto risco (G3, tipos histológicos não-endometrioides como seroso ou células claras) ou quando há invasão miometrial profunda (>50%) identificada no inventário peroperatório ou exames de imagem. Em tumores G1 restritos ao endométrio, a linfadenectomia pode ser omitida ou substituída pela técnica do linfonodo sentinela, que reduz a morbidade cirúrgica mantendo a acurácia do estadiamento linfonodal.

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