UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2025
Mulher, 54 anos de idade, refere sangramento genital progressivo há 2 anos. Biopsia endometrial: adenocarcinoma endometrial do tipo seroso. Estudo imuno-histoquímico: expressão anormal para p53. Ressonância Magnética da Pelve: doença restrita ao útero, ausência de linfonodomegalias pélvicas e para-aórticas. Tomografia de abdome superior e tórax: sem alterações. Qual é a conduta mais adequada?
Adenocarcinoma endometrial seroso + p53 anormal → cirurgia radical com estadiamento completo (histerectomia, salpingooforectomia, linfadenectomia, omentectomia, lavado).
O adenocarcinoma endometrial tipo seroso é um subtipo agressivo de câncer de endométrio, frequentemente associado à expressão anormal de p53 e com alto risco de disseminação extrauterina, mesmo em estágios iniciais. Por isso, a conduta cirúrgica deve ser radical, com estadiamento completo para determinar a extensão da doença.
O adenocarcinoma endometrial é o câncer ginecológico mais comum em países desenvolvidos, e o tipo seroso representa uma forma particularmente agressiva da doença. Diferente do subtipo endometrioide de baixo grau, que está frequentemente associado a hiperestrogenismo e obesidade, o adenocarcinoma seroso geralmente surge em um endométrio atrófico e é caracterizado por um comportamento biológico mais agressivo, com alta taxa de recorrência e mortalidade. A idade avançada da paciente e o sangramento genital progressivo são sintomas clássicos que levantam a suspeita. A fisiopatologia do adenocarcinoma seroso envolve mutações genéticas específicas, sendo a expressão anormal de p53 um achado comum e um marcador de mau prognóstico. Mesmo quando a doença parece restrita ao útero em exames de imagem, há um risco significativo de disseminação microscópica para linfonodos, peritônio e omento. O diagnóstico é histopatológico, e a imuno-histoquímica para p53 é fundamental para a classificação e estratificação de risco. O estadiamento é cirúrgico, e a extensão da cirurgia é determinada pelo tipo histológico e pelo risco de disseminação. A conduta mais adequada para o adenocarcinoma endometrial seroso, mesmo em estágios aparentemente iniciais, é a cirurgia radical com estadiamento completo. Isso inclui histerectomia total, salpingooforectomia bilateral, linfadenectomia pélvica bilateral e para-aórtica, omentectomia infra cólica e coleta de lavado peritoneal. Essa abordagem visa identificar qualquer disseminação oculta da doença, que é comum neste subtipo agressivo, e guiar a terapia adjuvante (quimioterapia e/ou radioterapia) pós-operatória, que é frequentemente necessária para melhorar o prognóstico. A compreensão da agressividade e do padrão de disseminação do tipo seroso é crucial para um manejo adequado.
O adenocarcinoma endometrial seroso é um subtipo agressivo, de alto grau, que tende a ocorrer em mulheres mais velhas, frequentemente sem obesidade ou hiperestrogenismo, e possui um padrão de disseminação peritoneal semelhante ao câncer de ovário.
A expressão anormal de p53 é um marcador de agressividade e instabilidade genômica, sendo comum em subtipos de alto grau como o seroso. Ela auxilia na classificação molecular e na tomada de decisão terapêutica, indicando um pior prognóstico e a necessidade de tratamento mais intensivo.
A omentectomia e o lavado peritoneal são cruciais no estadiamento do adenocarcinoma seroso devido ao seu alto risco de disseminação peritoneal e para o omento, mesmo na ausência de doença macroscópica. Esses procedimentos permitem detectar metástases ocultas e guiar a terapia adjuvante.
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