Adenocarcinoma de Cólon: Manejo Pós-Polipectomia com Margem Comprometida

HASP - Hospital Adventista de São Paulo — Prova 2022

Enunciado

H.K.Y., sexo feminino, 61 anos de idade, com queixas de sangramento retal recorrente, foi submetida a colonoscopia que identificou no sigmoide proximal, pólipo de 2,3 cm, pediculado. Foi submetida a polipectomia (pólipo fragmentado durante o procedimento de colonoscopia) e o resultado demonstrou adenocarcinoma moderadamente diferenciado, com margem profunda comprometida. O profissional médico que seguia o caso realizou o estadiamento completo e não identificou acometimento nos demais sistemas. O próximo passo é:

Alternativas

  1. A) Manter o caso em observação com colonoscopia a cada 6 meses.
  2. B) Indicar colonoscopia para ressecar os remanescentes da margem comprometida.
  3. C) Solicitar nova colonoscopia para tatuagem da polipectomia previamente realizada e indicar retossigmoidectomia videolaparoscópica.
  4. D) Indicar radioterapia e quimioterapia seguidas de retossigmoidectomia aberta.

Pérola Clínica

Adenocarcinoma em pólipo pediculado com margem comprometida → ressecção cirúrgica oncológica (retossigmoidectomia).

Resumo-Chave

Quando um pólipo maligno é ressecado endoscopicamente e a margem profunda está comprometida, ou a ressecção foi fragmentada, há risco de doença residual. Nesses casos, a conduta é prosseguir com a ressecção cirúrgica oncológica do segmento intestinal afetado, precedida por tatuagem endoscópica para localização precisa.

Contexto Educacional

O adenocarcinoma colorretal é uma das neoplasias mais comuns e com alta mortalidade. A detecção precoce através de rastreamento e a ressecção de pólipos pré-malignos são fundamentais. Quando um pólipo com foco de adenocarcinoma é ressecado endoscopicamente, a avaliação histopatológica da peça é crucial para determinar a necessidade de cirurgia complementar. A profundidade da invasão, o grau de diferenciação do tumor e, principalmente, o status das margens de ressecção são fatores determinantes. Em casos de pólipos pediculados com adenocarcinoma, se a margem profunda estiver comprometida (ou seja, células tumorais presentes na margem de ressecção), ou se a ressecção foi fragmentada, o risco de doença residual ou linfonodal é significativo. Nessas situações, a polipectomia não é considerada curativa e a ressecção cirúrgica oncológica do segmento intestinal afetado é indicada. Antes da cirurgia, é comum realizar uma nova colonoscopia para tatuagem endoscópica da área da polipectomia, facilitando a localização intraoperatória e garantindo uma ressecção adequada com margens livres e linfadenectomia regional.

Perguntas Frequentes

Qual a importância da margem de ressecção em pólipos malignos do cólon?

A margem de ressecção é crucial para determinar se a remoção endoscópica foi completa. Margens livres indicam menor risco de doença residual, enquanto margens comprometidas sugerem a necessidade de cirurgia complementar para garantir a erradicação do tumor.

Quando a polipectomia endoscópica é suficiente para tratar um adenocarcinoma em pólipo?

A polipectomia é curativa se o adenocarcinoma for bem diferenciado, não invadir os vasos linfáticos ou sanguíneos, tiver invasão submucosa superficial e, fundamentalmente, apresentar margens de ressecção livres de tumor.

Por que a tatuagem endoscópica é realizada antes da cirurgia para câncer de cólon?

A tatuagem endoscópica é feita para marcar a localização exata do pólipo ressecado ou da lesão tumoral. Isso facilita a identificação intraoperatória pelo cirurgião, garantindo que o segmento correto do cólon seja ressecado com margens adequadas.

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