Adenocarcinoma de Pâncreas: Conduta em Tumor Ressecável

FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2021

Enunciado

Mulher, 55 anos de idade, no pronto-socorro com queixa de “amarelão”. Há 2 meses iniciou icterícia, colúria e acolia fecal associadas a emagrecimento de 10kg e dor epigástrica. Nega febre, calafrios ou outros sinais e sintomas. Solicitados inicialmente exames laboratoriais e ultrassonografia (USG) de abdome: Hemoglobina = 11 g/dL; leucócitos = 10.800/mm³ ; plaquetas = 153.000/mm³ ; INR = 1,3; bilirrubina total = 8,3 mg/dL; bilirrubina direta = 7,8 mg/dL; creatinina = 1,1 mg/dL; ureia = 36 mg/dL; fosfatase alcalina = 985 U/L e gama GT = 878 U/L; USG = dilatação das vias biliares intra e extrahepáticas, com avaliação limitada por interposição gasosa. Complementado estudo com tomografia computadorizada de tórax, abdome e pelve: lesão de 3cm localizada na cabeça pancreática, com dilatação das vias biliares a montante, sem evidência de acometimento vascular; ausência de lesões à distância ou linfonodal. Qual deve ser a conduta?

Alternativas

  1. A) Antes de definir o tratamento, deve-se realizar biópsia transparietal guiada por tomografia para definição diagnóstica.
  2. B) Colangiopancreatografia endoscópica retrógrada (CPRE com passagem de prótese plástica devido a icterícia.
  3. C) Quimiorradioterapia neoadjuvante seguida de duodenopancreatectomia.
  4. D) Trata-se de tumor ressecável e a conduta é prosseguir com duodenopancreatectomia.

Pérola Clínica

Icterícia obstrutiva progressiva + emagrecimento + dor epigástrica + massa em cabeça de pâncreas sem metástase/invasão vascular → tumor ressecável, indicar duodenopancreatectomia.

Resumo-Chave

O quadro clínico de icterícia obstrutiva (icterícia, colúria, acolia fecal), emagrecimento e dor epigástrica, associado a exames de imagem que mostram uma lesão na cabeça do pâncreas com dilatação das vias biliares a montante, sem sinais de invasão vascular ou metástases à distância, é altamente sugestivo de adenocarcinoma de cabeça de pâncreas ressecável. A conduta padrão para tumores ressecáveis é a duodenopancreatectomia (cirurgia de Whipple).

Contexto Educacional

O adenocarcinoma de cabeça de pâncreas é uma neoplasia agressiva com prognóstico reservado, sendo a icterícia obstrutiva um dos sintomas mais comuns devido à sua localização próxima ao ducto biliar. O quadro clínico típico inclui icterícia progressiva, colúria, acolia fecal, dor epigástrica e perda de peso significativa. A ausência de febre e calafrios, como no caso, sugere uma obstrução biliar não complicada por colangite, o que é comum em obstruções malignas. O diagnóstico é baseado na combinação de achados clínicos, exames laboratoriais (elevação de bilirrubina direta, fosfatase alcalina e gama GT) e exames de imagem. A ultrassonografia de abdome é o exame inicial, mas a tomografia computadorizada (TC) de tórax, abdome e pelve com contraste é essencial para o estadiamento e avaliação da ressecabilidade. Critérios de ressecabilidade incluem ausência de metástases à distância e ausência de invasão de vasos mesentéricos ou do tronco celíaco. Para tumores de cabeça de pâncreas considerados ressecáveis, a conduta é a duodenopancreatectomia, também conhecida como cirurgia de Whipple, que é o único tratamento potencialmente curativo. A biópsia pré-operatória não é rotineiramente indicada para tumores claramente ressecáveis, pois pode atrasar a cirurgia e não altera a conduta. A descompressão biliar pré-operatória com CPRE e colocação de stent é reservada para pacientes com colangite ou icterícia muito sintomática, ou naqueles que necessitam de tempo para otimização clínica antes da cirurgia.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas do adenocarcinoma de cabeça de pâncreas?

Os principais sinais incluem icterícia progressiva, dor epigástrica que irradia para o dorso, perda de peso inexplicável, anorexia, náuseas, vômitos e, em alguns casos, colúria e acolia fecal devido à obstrução biliar.

Quando um tumor de pâncreas é considerado ressecável?

Um tumor de pâncreas é considerado ressecável quando não há evidência de metástases à distância, e a lesão não invade vasos importantes como a veia porta, artéria mesentérica superior ou tronco celíaco, conforme avaliado por tomografia computadorizada ou ressonância magnética.

Qual o papel da CPRE no manejo do adenocarcinoma de pâncreas?

A CPRE (Colangiopancreatografia Endoscópica Retrógrada) é utilizada principalmente para descompressão biliar em pacientes com icterícia obstrutiva sintomática (prurido intenso, colangite) ou para melhorar as condições clínicas antes da cirurgia. Não é a primeira escolha para diagnóstico histopatológico em tumores ressecáveis.

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