Adenocarcinoma de Pâncreas: Achados na TC Trifásica

UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2026

Enunciado

Homem de 56 anos apresenta icterícia progressiva, com colúria e acolia fecal há 10 dias. Ele não apresenta sintomas álgicos, mas refere emagrecimento de 15 kg nos últimos três meses, com mudança da categoria de sobrepeso para um Índice de Massa Corporal (IMC) de 24 kg/m². USG evidenciou vesícula biliar normal e dilatação de vias biliares intra e extra-hepáticas. Realizou TC com contraste trifásico e a suspeita principal é de adenocarcinoma de cabeça do pâncreas. A imagem tomográfica típica dessa lesão será:

Alternativas

  1. A) Captação periférica na fase arterial.
  2. B) Hiperatenuante em todas as fases.
  3. C) Hipoatenuante na fase portal.
  4. D) Isodensa na fase venosa.

Pérola Clínica

Adenocarcinoma pancreático = Lesão hipoatenuante (hipovascular) em relação ao parênquima na fase portal.

Resumo-Chave

O adenocarcinoma ductal pancreático possui um estroma desmoplásico denso e baixa vascularização, resultando em menor realce pelo contraste do que o parênquima saudável, especialmente na fase portal.

Contexto Educacional

O adenocarcinoma de pâncreas é uma das neoplasias mais letais do trato digestivo, frequentemente diagnosticado em estágios avançados devido à sua sintomatologia insidiosa. A icterícia obstrutiva indolor associada ao emagrecimento (Sinal de Bard e Pick) é a apresentação clássica das lesões de cabeça de pâncreas. A tomografia computadorizada com protocolo dedicado (trifásica) é o padrão-ouro para o diagnóstico e estadiamento, permitindo avaliar a relação do tumor com o tronco celíaco e a artéria mesentérica superior. Fisiopatologicamente, a obstrução do ducto colédoco distal leva à dilatação das vias biliares intra e extra-hepáticas, como visto no caso clínico. A ausência de dor e a vesícula biliar palpável (embora o USG tenha mostrado vesícula normal, o quadro clínico sugere o potencial de Courvoisier) reforçam a etiologia maligna. O entendimento dos padrões radiológicos é vital para o cirurgião e o oncologista na definição da conduta terapêutica, seja ela ressecção cirúrgica (Cirurgia de Whipple) ou tratamento paliativo.

Perguntas Frequentes

Por que o adenocarcinoma de pâncreas é hipoatenuante na TC?

O adenocarcinoma ductal pancreático é caracterizado por uma intensa reação desmoplásica (fibrose) e uma rede vascular pobre. Durante a tomografia computadorizada com contraste, o parênquima pancreático normal realça intensamente, enquanto a massa tumoral, devido à sua hipovascularidade, não capta o contraste na mesma proporção. Isso cria um contraste de densidade onde a lesão aparece mais escura (hipoatenuante) do que o tecido glandular circundante, sendo essa diferença mais evidente na fase portal ou pancreática.

Qual a importância da fase portal no diagnóstico do câncer de pâncreas?

A fase portal (ou venosa) é crucial porque é o momento em que o parênquima pancreático atinge seu pico de realce, permitindo a melhor diferenciação entre o tecido saudável e a lesão tumoral hipovascular. Além disso, essa fase é essencial para avaliar o envolvimento venoso (veia porta e veia mesentérica superior), o que determina a ressecabilidade do tumor. Sem uma fase portal bem executada, pequenas lesões isodensas podem passar despercebidas.

Como diferenciar adenocarcinoma de tumor neuroendócrino na TC?

A principal diferença reside no padrão de vascularização. Enquanto o adenocarcinoma é hipovascular e hipoatenuante, os tumores neuroendócrinos do pâncreas (como o insulinoma ou gastrinoma) são tipicamente hipervasculares. Isso significa que os tumores neuroendócrinos apresentam um realce intenso e precoce, tornando-se hiperatenuantes (mais claros que o parênquima) já na fase arterial da tomografia, ao contrário do comportamento do adenocarcinoma.

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