UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2024
Na análise histopatológica de uma apendicectomia, observou-se a presença de lesão expansiva de 1cm na porção distal do apêndice, cuja análise microscópica mostrou tratar-se de adenocarcinoma moderadamente diferenciado. O tratamento definitivo nesse caso deve ser:
Adenocarcinoma de apêndice = Hemicolectomia direita + linfadenectomia (independente do tamanho).
Diferente dos tumores neuroendócrinos (carcinoides), o adenocarcinoma de apêndice é uma neoplasia epitelial agressiva que exige tratamento oncológico radical com hemicolectomia direita para garantir margens e linfadenectomia adequada.
Os tumores de apêndice são raros, encontrados em menos de 1% das apendicectomias. Eles são divididos em tumores neuroendócrinos (mais comuns) e tumores epiteliais, como o adenocarcinoma. O adenocarcinoma de apêndice pode ser do tipo colônico (não mucinoso), mucinoso ou de células em anel de sinete. A abordagem cirúrgica é o pilar do tratamento. Enquanto tumores neuroendócrinos pequenos podem ser tratados apenas com apendicectomia, o adenocarcinoma requer uma abordagem oncológica formal. A hemicolectomia direita permite a remoção de pelo menos 12 linfonodos para um estadiamento adequado. O prognóstico depende do subtipo histológico e do estágio TNM, sendo os tumores mucinosos frequentemente associados ao risco de pseudomixoma peritoneal, que exige abordagens terapêuticas específicas como a cirurgia de citorredução e quimioterapia intraperitoneal hipertérmica (HIPEC).
A conduta cirúrgica no apêndice depende estritamente da histologia. Para tumores neuroendócrinos (carcinoides), a apendicectomia simples é geralmente suficiente se o tumor tiver menos de 1 cm e estiver na ponta. A hemicolectomia direita é reservada para carcinoides > 2 cm, invasão do mesoapêndice ou base do apêndice. Já o adenocarcinoma, por ser uma neoplasia epitelial com comportamento biológico muito mais agressivo e maior taxa de disseminação linfonodal, exige a hemicolectomia direita com linfadenectomia em praticamente todos os casos diagnosticados, independentemente do tamanho da lesão primária, visando o controle oncológico regional e estadiamento linfonodal adequado.
Na grande maioria dos casos, o diagnóstico é um achado incidental no exame histopatológico após uma apendicectomia realizada por suspeita de apendicite aguda. O tumor pode obstruir o lúmen do apêndice, mimetizando o quadro inflamatório. Em casos menos comuns, o paciente pode apresentar uma massa palpável em fossa ilíaca direita, ascite (se houver pseudomixoma peritoneal associado a tumores mucinosos) ou ser descoberto durante exames de imagem de rotina. Uma vez confirmado o adenocarcinoma na biópsia da peça cirúrgica, o paciente deve ser submetido a estadiamento completo com TC de tórax, abdome e pelve, além de marcadores tumorais como CEA, antes da reintervenção cirúrgica.
A hemicolectomia direita é necessária porque o adenocarcinoma de apêndice se comporta de forma semelhante ao câncer de cólon direito. A apendicectomia isolada não remove os linfonodos regionais (cadeia ileocólica), que são sítios frequentes de metástases microscópicas mesmo em lesões pequenas. A cirurgia radical envolve a ressecção do íleo terminal, ceco, cólon ascendente e flexura hepática, junto com o respectivo mesocólon contendo a drenagem linfovascular. Isso garante margens de ressecção negativas e permite um estadiamento patológico preciso (N), que definirá a necessidade de quimioterapia adjuvante, impactando diretamente na sobrevida global do paciente.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo