FAMENE - Faculdade de Medicina Nova Esperança (PB) — Prova 2026
Paciente de 67 anos, sexo masculino, submetido à apendicectomia por apendicite aguda flegmonosa. O laudo histopatológico da peça operatória revelou o apêndice cecal inflamado (confirmando a apendicite), mas demonstrando adicionalmente um adenocarcinoma, 1,5cm, nãomucinoso, sem invasão perineural ou linfovascular. Diante deste achado, qual a melhor conduta a ser tomada para este paciente?
Adenocarcinoma de apêndice (mesmo < 2cm) → Colectomia direita obrigatória para estadiamento linfonodal.
Diferente dos tumores neuroendócrinos, o adenocarcinoma de apêndice cecal exige colectomia direita independentemente do tamanho, devido ao comportamento biológico agressivo e alto risco de metástases linfonodais.
O achado incidental de neoplasias em peças de apendicectomia ocorre em aproximadamente 1% dos casos. O adenocarcinoma de apêndice é uma entidade rara, mas que exige uma abordagem cirúrgica agressiva. O tratamento padrão é a colectomia direita formal, que inclui a ligadura da artéria ileocólica em sua origem e a remoção do território linfonodal correspondente. Este manejo é justificado pela alta incidência de metástases linfonodais ocultas, que não podem ser detectadas apenas por exames de imagem no pré-operatório. A sobrevida do paciente está diretamente relacionada à radicalidade da primeira cirurgia oncológica e ao estadiamento preciso, reforçando que a apendicectomia inicial deve ser considerada apenas um procedimento diagnóstico nesses cenários.
O adenocarcinoma de apêndice cecal, mesmo quando pequeno (como o de 1,5 cm relatado), apresenta um risco significativo de disseminação para os linfonodos regionais da cadeia ileocólica. A apendicectomia simples não permite a ressecção desses linfonodos nem garante margens oncológicas adequadas na base do ceco. Portanto, a colectomia direita com linfadenectomia é o tratamento padrão para garantir o controle oncológico e o estadiamento patológico correto da doença.
Nos tumores neuroendócrinos (carcinoides), a apendicectomia pode ser curativa se o tumor for < 1cm e estiver no ápice. A colectomia direita é indicada apenas se > 2cm, invasão do mesoapêndice ou base. Já no adenocarcinoma, a biologia é similar ao câncer de cólon; por isso, a colectomia direita é recomendada para quase todos os casos invasivos, independentemente do tamanho, para assegurar a limpeza linfonodal.
A necessidade de quimioterapia adjuvante no adenocarcinoma de apêndice segue critérios semelhantes aos do câncer de cólon (estádios III ou estádio II de alto risco). A decisão é tomada após a análise histopatológica da peça da colectomia direita, avaliando o número de linfonodos comprometidos, o grau de diferenciação tumoral e a presença de invasão angiolinfática ou perineural.
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