INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2016
Uma criança do sexo masculino, com 10 anos de idade, previamente hígida, é levada pelos pais para consulta em Unidade Básica de Saúde. Eles relatam aparecimento de tumoração em região direita do pescoço da criança há 5 dias, de crescimento progressivo, associado a febre (até 38,5°C) e a dor local. Informam que, há dois dias, a criança reclamou de piora da dor e de aparecimento de calor e rubor na região, com dificuldade na lateralização do pescoço. Desde o início do quadro, a criança apresenta mal-estar generalizado e hiporexia. Ao exame físico, apresenta-se em regular estado geral, febril (38°C), corada, hidratada e eupneica, sem alterações ao exame de orofaringe. Identifica-se presença de tumoração única com 8 cm de diâmetro em região cervical direita, consistência fibroelástica, móvel, dolorosa à palpação, não aderida a tecido profundo, com hiperemia e calor local. Diante desse quadro, a hipótese diagnóstica é:
Massa cervical aguda + Sinais flogísticos + Febre = Adenite Bacteriana.
A adenite bacteriana aguda em crianças é tipicamente causada por S. aureus ou S. pyogenes. Apresenta-se como um linfonodo único, doloroso, com calor, rubor e febre, exigindo antibioticoterapia sistêmica.
A adenite bacteriana cervical é uma das causas mais comuns de massas cervicais na infância. A fisiopatologia envolve a drenagem de um foco infeccioso (faringe, dentes, pele) para o linfonodo regional, que sofre hiperplasia e resposta inflamatória aguda. O diagnóstico é eminentemente clínico, baseado na tríade de febre, linfonodo aumentado (>1,5 cm) e sinais flogísticos. É crucial monitorar complicações como a formação de abscessos cervicais profundos, que podem comprometer a via aérea ou causar trombose da veia jugular (Síndrome de Lemierre). Exames de imagem, como a ultrassonografia com Doppler, são úteis para distinguir celulite de abscesso organizado. O prognóstico é excelente com a antibioticoterapia adequada e precoce.
Os agentes mais comuns na adenite cervical aguda em crianças são o Staphylococcus aureus e o Streptococcus pyogenes (Estreptococo do grupo A). Juntos, eles respondem pela grande maioria dos casos piogênicos. Em recém-nascidos, deve-se considerar também o Streptococcus do grupo B. Em casos de evolução subaguda ou crônica, outros patógenos como as micobactérias atípicas ou a Bartonella henselae (doença da arranhadura do gato) entram no diagnóstico diferencial, mas o quadro agudo com febre alta e sinais flogísticos intensos aponta fortemente para os cocos gram-positivos.
A diferenciação baseia-se na história clínica e no exame físico. A adenite bacteriana tem evolução rápida (dias), é acompanhada de febre, dor intensa e sinais inflamatórios locais (calor e rubor). O linfonodo costuma ser fibroelástico e móvel inicialmente. Já o linfoma apresenta crescimento insidioso (semanas a meses), geralmente é indolor, de consistência endurecida ou 'emborrachada', podendo estar aderido a planos profundos e acompanhado de sintomas B (perda de peso, sudorese noturna e febre prolongada). Na dúvida ou persistência após tratamento, a biópsia é mandatória.
O tratamento inicial é empírico e direcionado para S. aureus e S. pyogenes. Utilizam-se antibióticos resistentes às beta-lactamases, como a Cefalexina ou Amoxicilina com Clavulanato, por 7 a 10 dias. Se houver suspeita de MRSA (Staphylococcus aureus resistente à meticilina), a Clindamicina é uma excelente opção. Além do antibiótico, medidas de suporte como analgésicos e compressas mornas ajudam no alívio da dor. Se houver flutuação (formação de abscesso), a drenagem cirúrgica ou aspiração por agulha pode ser necessária para acelerar a resolução.
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