HIFA - Hospital Materno Infantil Francisco de Assis (ES) — Prova 2023
Durante a gestação, as alterações sofridas pelo organismo materno são profundas e multissistêmicas. A sua integração visa proporcionar as condições necessárias para o desenvolvimento fetal em equilíbrio com o sistema materno. As adaptações ocorrem em resposta a estímulos provenientes do feto. Sobre as modificações adaptativas do organismo materno durante a gravidez, assinale a alternativa INCORRETA:
Hormônio Lactogênio Placentário (hPL) → efeito ANTI-INSULÍNICO materno, levando à tendência de HIPERGLICEMIA, não hipoglicemia.
O hormônio lactogênio placentário (hPL) é um hormônio com ação diabetogênica, ou seja, induz resistência à insulina na mãe para garantir um suprimento contínuo de glicose ao feto. Portanto, ele causa uma tendência à hiperglicemia, e não hipoglicemia.
A gravidez induz uma série de profundas e complexas adaptações fisiológicas em praticamente todos os sistemas do organismo materno. Essas modificações são essenciais para sustentar o crescimento e desenvolvimento fetal, ao mesmo tempo em que mantêm a homeostase materna. A integração dessas alterações é mediada principalmente por hormônios placentários e maternos, como estrogênio, progesterona e o hormônio lactogênio placentário (hPL). No sistema gastrointestinal, a progesterona causa relaxamento da musculatura lisa, resultando em redução do peristaltismo intestinal e consequente constipação, além de relaxamento do esfíncter esofágico inferior, predispondo à pirose. No sistema renal, há um aumento do ritmo de filtração glomerular e do fluxo plasmático renal, o que pode levar a glicosúria e proteinúria fisiológicas devido à sobrecarga tubular. O metabolismo lipídico também é alterado, com aumento dos níveis séricos de colesterol LDL, que é utilizado pela placenta para a esteroidogênese. Em relação ao metabolismo da glicose, o hormônio lactogênio placentário (hPL) desempenha um papel fundamental. O hPL tem um efeito anti-insulínico, ou seja, ele induz resistência à insulina nas células maternas. Isso garante que mais glicose esteja disponível para o feto, mas também predispõe a mãe a uma tendência de hiperglicemia, sendo um fator chave no desenvolvimento do diabetes gestacional. Portanto, a afirmação de que o hPL causa efeito hipoglicemiante materno está incorreta, pois seu efeito é o oposto, tendendo à hiperglicemia.
As alterações incluem redução do peristaltismo intestinal devido à progesterona, levando à constipação; relaxamento do esfíncter esofágico inferior, causando pirose; e náuseas e vômitos, especialmente no primeiro trimestre, influenciados por hormônios como o hCG.
Ocorre um aumento significativo do ritmo de filtração glomerular (RFG) e do fluxo plasmático renal, resultando em uma diminuição dos níveis séricos de creatinina e ureia. Pode haver glicosúria e proteinúria fisiológicas devido ao aumento da carga filtrada e à redução da capacidade de reabsorção tubular.
O hPL, também conhecido como somatomamotropina coriônica, tem um papel crucial na regulação metabólica materna. Ele atua como um hormônio anti-insulínico, aumentando a resistência à insulina e promovendo a lipólise, garantindo um suprimento adequado de glicose e ácidos graxos livres para o feto em crescimento.
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