Adaptações Fisiológicas na Gravidez: Entenda as Mudanças Maternas

UFT - Universidade Federal do Tocantins — Prova 2015

Enunciado

Considere as afirmativas relacionadas às adaptações que sofre o organismo materno frente à gravidez:I. O volume plasmático aumenta no decorrer da gravidez alcançando no terceiro trimestre 30 a 50% acima dos valores pré-gravídicos; concomitante ocorre aumento da massa eritrocitária porém não de forma a evitar a hemodiluição fisiológica que leva à Anemia materna.II. Em função da ação estrogênica aumentada já no início da gravidez, ocorre na gestante diminuição do tônus do esfíncter esofágico inferior levando ao refluxo gastroesofágico e diminuição do peristaltismo intestinal causando constipação.III. A fase anabólica, que ocorre na segunda metade da gravidez, leva à diminuição dos níveis de glicemia materna com lipogênese, glicogênese hepática e transferência de glicose para o feto.Marque a alternativa CORRETA:

Alternativas

  1. A) Apenas a afirmativa I está correta.
  2. B) Estão corretas as afirmativas I e II.
  3. C) Estão corretas as afirmativas II e III.
  4. D) Apenas a afirmativa III está correta.
  5. E) Todas as afirmativas estão corretas.

Pérola Clínica

Gravidez: ↑ volume plasmático e massa eritrocitária (mas hemodiluição), ↓ tônus EEI (refluxo), ↓ peristaltismo (constipação).

Resumo-Chave

A gravidez induz profundas adaptações fisiológicas. O aumento desproporcional do volume plasmático em relação à massa eritrocitária causa anemia fisiológica. A ação hormonal (progesterona e estrogênio) relaxa a musculatura lisa, levando a refluxo gastroesofágico e constipação. O metabolismo da glicose na segunda metade da gravidez tende a um estado de resistência à insulina, não hipoglicemia.

Contexto Educacional

A gravidez é um período de intensas adaptações fisiológicas no corpo materno, visando sustentar o desenvolvimento fetal e preparar o organismo para o parto. No sistema cardiovascular, ocorre um aumento significativo do volume plasmático (30-50%) e da massa eritrocitária (20-30%), mas o aumento do plasma é desproporcionalmente maior, resultando em hemodiluição e a chamada anemia fisiológica da gravidez. O débito cardíaco também aumenta, principalmente devido ao aumento do volume sistólico e da frequência cardíaca. No trato gastrointestinal, a ação hormonal, principalmente da progesterona e estrogênio, causa relaxamento da musculatura lisa. Isso leva à diminuição do tônus do esfíncter esofágico inferior, predispondo ao refluxo gastroesofágico, e à diminuição do peristaltismo intestinal, resultando em constipação. Essas queixas são muito comuns entre as gestantes e requerem manejo adequado. Em relação ao metabolismo, a primeira metade da gravidez é predominantemente anabólica, com aumento da sensibilidade à insulina. No entanto, na segunda metade, há um estado de resistência à insulina, induzido por hormônios placentários (como lactogênio placentário humano), que garante um suprimento contínuo de glicose para o feto, mas pode predispor a gestantes à hiperglicemia pós-prandial e ao desenvolvimento de diabetes gestacional.

Perguntas Frequentes

Por que ocorre anemia fisiológica na gravidez?

A anemia fisiológica ocorre devido a um aumento desproporcional do volume plasmático (30-50%) em relação ao aumento da massa eritrocitária (20-30%). Essa hemodiluição resulta em uma diminuição da concentração de hemoglobina e hematócrito.

Quais são as causas do refluxo gastroesofágico e constipação na gestação?

Ambos são causados pela ação hormonal, principalmente da progesterona, que relaxa a musculatura lisa. Isso diminui o tônus do esfíncter esofágico inferior (levando ao refluxo) e reduz o peristaltismo intestinal (causando constipação).

Como o metabolismo da glicose é alterado na segunda metade da gravidez?

Na segunda metade da gravidez, hormônios placentários (como o lactogênio placentário humano) induzem um estado de resistência à insulina na mãe. Isso garante um suprimento contínuo de glicose para o feto, mas pode levar a uma tendência à hiperglicemia pós-prandial materna.

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