HFASP - Hospital de Força Aérea de São Paulo — Prova 2020
Mulher, 26 anos de idade, inicia o pré-natal na 34ª semana, referindo palpitações, principalmente quando faz exercícios tais como andar um pouco mais rápido ou subir um curto lance de escadas, com piora progressiva nas duas últimas semanas. Paciente refere que acorda à noite com falta de ar neste período, principalmente quando dorme em posição supina. Nega doenças prévias. Refere sedentarismo antes de engravidar. Ao exame clínico apresenta bom estado geral, corada, hidratada, pressão arterial 120 x 80 mmHg, frequência cardíaca 90 bpm, rítmica, sopro sistólico +/6+ em foco aórtico acessório. Edema de membros inferiores ++/4+. Qual é a principal hipótese diagnóstica?
Gravidez avançada: palpitações, dispneia, edema, sopro sistólico leve podem ser alterações fisiológicas.
No terceiro trimestre da gravidez, o corpo da mulher passa por significativas adaptações cardiovasculares, como aumento do volume sanguíneo, débito cardíaco e frequência cardíaca. Sintomas como palpitações, dispneia leve, edema de membros inferiores e até um sopro sistólico funcional são comuns e geralmente fisiológicos, não indicando patologia grave na ausência de outros sinais de alarme.
A gravidez induz uma série de profundas adaptações fisiológicas no corpo materno, especialmente no sistema cardiovascular, para atender às crescentes demandas metabólicas do feto e da placenta. Essas alterações incluem um aumento significativo do volume sanguíneo, do débito cardíaco e da frequência cardíaca, que podem mimetizar sintomas de doenças cardíacas em mulheres não grávidas. É fundamental que residentes e profissionais de saúde saibam diferenciar as manifestações fisiológicas das patológicas para evitar diagnósticos errôneos e intervenções desnecessárias. No terceiro trimestre da gestação, a mulher pode apresentar sintomas como palpitações, dispneia aos esforços (e até ortopneia leve), e edema de membros inferiores. As palpitações são reflexo do aumento do débito cardíaco e da frequência cardíaca. A dispneia pode ser atribuída ao aumento da ventilação minuto e à elevação do diafragma pelo útero gravídico. O edema é comum devido à retenção hídrica fisiológica e à compressão venosa pelo útero. Um sopro sistólico ejetivo de baixa intensidade também pode ser auscultado devido ao aumento do fluxo sanguíneo e da velocidade de ejeção, sendo considerado funcional na maioria dos casos. Para diferenciar as alterações fisiológicas de condições patológicas, é crucial uma avaliação clínica cuidadosa. Sinais de alerta para patologia incluem dispneia em repouso, ortopneia grave, dispneia paroxística noturna, dor torácica, cianose, sopros diastólicos ou de alta intensidade, cardiomegalia radiográfica ou evidência de disfunção ventricular em exames complementares. A ausência de doenças prévias e a boa resposta aos esforços habituais (apesar da piora progressiva fisiológica) são pontos importantes a serem considerados para confirmar a natureza fisiológica dos sintomas.
Durante a gravidez, ocorrem aumento do volume sanguíneo (até 50%), do débito cardíaco (30-50%) e da frequência cardíaca (10-20 bpm). A pressão arterial tende a diminuir no segundo trimestre e retornar aos níveis pré-gravídicos no terceiro. Essas mudanças são para suprir as demandas do feto e da placenta.
Palpitações são comuns devido ao aumento do débito cardíaco e da frequência cardíaca. A dispneia pode ser causada pelo aumento da demanda metabólica, elevação do diafragma pelo útero e aumento da ventilação minuto, sendo frequentemente fisiológica, especialmente no terceiro trimestre.
Não, um sopro sistólico ejetivo de baixa intensidade (grau I/VI ou II/VI) é comum na gravidez e geralmente é funcional, devido ao aumento do volume sanguíneo e do débito cardíaco. Sinais de alerta para patologia incluem sopros diastólicos, sopros de alta intensidade, irradiação, ou sintomas de insuficiência cardíaca.
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