CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2020
Com relação à acuidade visual na infância, é correto afirmar:
Crianças pré-verbais → Avaliação por olhar preferencial (Lea/Cardiff) ou reflexos de fixação.
A acuidade visual em crianças pequenas é estimada por métodos de olhar preferencial; tabelas de optotipos (Snellen) requerem maturidade cognitiva (geralmente >3 anos).
A avaliação da acuidade visual na infância é um desafio clínico que exige métodos adaptados ao estágio do desenvolvimento neuropsicomotor. Em bebês, avalia-se a capacidade de 'fixar e seguir' objetos e a reação à oclusão. Para crianças pré-verbais (6 meses a 2-3 anos), os testes de olhar preferencial (como Teller, raquetes de Lea e Cardiff) são o padrão-ouro. Detectar precocemente déficits visuais é crucial para o tratamento da ambliopia ('olho preguiçoso'), que só pode ser revertida durante o período de plasticidade visual (até cerca de 7-9 anos). Aos seis anos, espera-se que uma criança normal tenha acuidade visual de 20/20 (ou 1 minuto de ângulo visual, não 20 minutos). O conhecimento desses marcos e ferramentas é essencial para pediatras e oftalmologistas na prevenção de cegueira evitável.
O teste de olhar preferencial baseia-se no comportamento inato da criança de preferir olhar para padrões estruturados (como listras ou figuras) em vez de superfícies homogêneas. As Raquetes de Lea e o Teste de Cardiff utilizam esse princípio: o examinador observa se a criança direciona o olhar para o lado onde o estímulo está presente. À medida que os padrões ficam mais finos ou menos contrastados, determina-se o limiar da acuidade visual.
A Tabela de Snellen clássica (letras) ou a de 'E' direcional requerem que a criança seja capaz de identificar símbolos ou indicar direções, o que geralmente ocorre a partir dos 3 a 4 anos de idade. Tentar aplicar esses testes em crianças de um ano e meio é tecnicamente inviável na maioria dos casos, sendo preferíveis os métodos de figuras (como os optotipos de Lea) ou olhar preferencial.
A acuidade visual do recém-nascido é muito rudimentar, estimada entre 20/400 e 20/600 (ou cerca de 0,03 a 0,05 na escala decimal). Ela não é 0,7 (que seria quase normal). O desenvolvimento visual é rápido no primeiro ano de vida, atingindo níveis próximos ao do adulto (20/20 ou 1.0) por volta dos 5 a 6 anos de idade, acompanhando a maturação da fóvea e das vias visuais corticais.
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