UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2015
Escolar de dez anos apresenta, há 50 dias, massa cervical anterior esquerda. Foi encaminhado para avaliação médica com cinco dias de doença, quando foi medicado com amoxicilina durante 14 dias, apresentando melhora do quadro. Porém, nos últimos 30 dias, houve aumento do volume da massa que é indolor e evoluiu com a formação de fístula cutânea. O exame físico mostra massa cervical de consistência dura, indolor, medindo aproximadamente 6cm no seu maior eixo e presença de fístula com saída de secreção purulenta. O exame da cavidade oral é difícil pela presença de trismo, mas permite notar dentes em mau estado de conservação com presença evidente de cáries. A radiografia de tórax é normal, o PPD apresenta área de enduração de 3mm e a velocidade de hemossedimentação é de 40mm na primeira hora. O exame histopatológico da massa mostrou tecido linfoide, apresentando infiltrado inflamatório com formação de granulomas e grânulos de enxofre. A história epidemiológica aponta contato com filhotes de gato. Diante desse caso, o diagnóstico correto é de:
Massa cervical crônica, indolor, fistulizada com grânulos de enxofre no histopatológico → Actinomicose cervicofacial.
O quadro clínico de massa cervical crônica, indolor, com fístula cutânea e secreção purulenta, associado a dentes em mau estado e, crucialmente, a presença de granulomas e "grânulos de enxofre" no histopatológico, é altamente sugestivo de Actinomicose cervicofacial. A melhora inicial com amoxicilina pode ser enganosa, pois o tratamento da actinomicose requer antibioticoterapia prolongada.
A actinomicose cervicofacial é uma infecção bacteriana crônica e supurativa causada por bactérias anaeróbias do gênero Actinomyces, que são comensais da cavidade oral. Embora rara, é a forma mais comum de actinomicose. A doença é caracterizada pela formação de abscessos, granulomas e fístulas, com a eliminação dos patognomênicos "grânulos de enxofre". A porta de entrada geralmente são lesões na mucosa oral, como cáries dentárias ou traumas. O diagnóstico é desafiador devido à sua apresentação inespecífica e lenta progressão. A suspeita clínica surge diante de uma massa endurecida, indolor, com fístulas e secreção purulenta, especialmente em pacientes com higiene oral precária. O exame histopatológico da biópsia da lesão, revelando granulomas e colônias bacterianas em forma de "grânulos de enxofre", é crucial para a confirmação diagnóstica. O tratamento consiste em antibioticoterapia prolongada, geralmente com penicilina em altas doses por vários meses, podendo ser necessária drenagem cirúrgica de abscessos ou remoção de tecido necrótico. O prognóstico é bom com tratamento adequado, mas a falta de reconhecimento pode levar a complicações e disseminação da infecção. É importante diferenciar de outras causas de linfadenopatia cervical crônica, como tuberculose ou neoplasias.
A actinomicose cervicofacial manifesta-se como uma massa indolor, endurecida, que pode fistulizar para a pele, liberando secreção purulenta e, por vezes, os característicos "grânulos de enxofre".
O diagnóstico definitivo é histopatológico, pela biópsia da lesão, que revela granulomas e a presença dos "grânulos de enxofre", que são colônias de Actinomyces.
O tratamento da actinomicose é prolongado, geralmente com penicilina G cristalina intravenosa seguida de penicilina oral ou amoxicilina por vários meses, além de drenagem cirúrgica se necessário.
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