Actinomicose Cervicofacial: Diagnóstico e Tratamento

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2022

Enunciado

Uma mulher com 51 anos de idade, em tratamento para osteoporose com bifosfonato, comparece ao ambulatório de infectologia de um hospital escola para receber o resultado da investigação diagnóstica de quadro de lesão crônica oro-cérvico-facial à direita. Segundo a paciente, a lesão iniciou-se há cerca de 18 meses como um endurecimento inflamatório logo abaixo da mandíbula, bem ao nível de seu ângulo; ao longo de alguns dias, a lesão tornou-se um nódulo endurecido que, posteriormente, se ulcerou, dando saída a secreção purulenta contendo granulações amareladas por 2 tratos fistulosos. Conta que procurou assistência médica, tendo realizado tratamento antibiótico por algumas vezes, sempre por 7 a 14 dias, com melhora inicial do quadro, mas retorno da drenagem de material nas semanas seguintes. Acrescenta que, há 4 semanas, foi submetida a procedimento de biópsia local, tendo retornado ao ambulatório para saber o resultado da investigação diagnóstica. O laudo histopatológico revelou a presença de granulações contendo material inflamatório linfo-histiocitário associado a camadas densas de neutrófilos, no interior das quais são observadas massas de bactérias gram-positivas com filamentos ramificados, além de material sugestivo de depósitos de fosfato de cálcio. As culturas do material drenado isolaram, além de Actinomyces israelli, Eikenella corrodens e espécies de Staphylococcus. Ao exame físico, a paciente apresenta 2 elementos molares da arcada dentária inferior, bem adjacentes à lesão cérvico-facial, em péssimo estado de conservação, com processo inflamatório inequívoco. Nesse caso, o fármaco adequado, de uso prolongado, para a conduta terapêutica antimicrobiana é

Alternativas

  1. A) oxacilina.
  2. B) cefalexina.
  3. C) clindamicina
  4. D) levofloxacina.

Pérola Clínica

Actinomicose cervicofacial → Penicilina (1ª linha) ou Clindamicina (alergia/alternativa) por tempo prolongado.

Resumo-Chave

A actinomicose é uma infecção crônica, supurativa e granulomatosa, frequentemente polimicrobiana, causada por bactérias anaeróbias gram-positivas filamentosas como Actinomyces israelli. O tratamento requer antibióticos de longo prazo (meses), sendo a penicilina a primeira escolha, mas a clindamicina é uma alternativa eficaz, especialmente em casos de alergia à penicilina ou para cobrir co-infecções anaeróbias.

Contexto Educacional

A actinomicose é uma infecção bacteriana crônica, supurativa e granulomatosa, causada por bactérias anaeróbias gram-positivas do gênero Actinomyces, sendo A. israelli a espécie mais comum. Embora rara, é importante reconhecer, pois mimetiza outras condições e requer tratamento prolongado. A forma cervicofacial é a mais frequente, representando cerca de 50% dos casos, e está frequentemente associada a trauma, cirurgia oral, má higiene dentária ou uso de bifosfonatos, que podem predispor à osteonecrose de mandíbula e infecção secundária. A fisiopatologia envolve a quebra da barreira da mucosa, permitindo que os Actinomyces, que são comensais da cavidade oral, invadam tecidos profundos. A infecção progride lentamente, formando abscessos e fístulas que drenam material purulento, caracteristicamente contendo os "grânulos de enxofre" (agregados bacterianos). O diagnóstico é clínico-epidemiológico, histopatológico (com visualização dos filamentos ramificados) e microbiológico (cultura, que pode ser difícil devido à natureza anaeróbia e polimicrobiana). A presença de co-patógenos como Eikenella corrodens e Staphylococcus spp. é comum. O tratamento da actinomicose é primariamente antimicrobiano e deve ser prolongado para garantir a erradicação da infecção e prevenir recidivas. A penicilina é o antibiótico de escolha, administrada em altas doses por via intravenosa inicialmente, seguida por terapia oral por 6 a 12 meses. Para pacientes alérgicos à penicilina, a clindamicina, tetraciclinas (doxiciclina) ou eritromicina são alternativas eficazes. A intervenção cirúrgica pode ser necessária para drenagem de abscessos ou remoção de tecido necrótico, mas não substitui a antibioticoterapia prolongada.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais clínicos da actinomicose cervicofacial?

A actinomicose cervicofacial manifesta-se com lesões endurecidas, nodulares, que podem fistulizar e drenar secreção purulenta contendo "grânulos de enxofre" amarelados. É comum a associação com má higiene oral ou trauma.

Qual é o tratamento de primeira linha para actinomicose e por quanto tempo?

O tratamento de primeira linha para actinomicose é a penicilina G intravenosa, seguida por penicilina V oral ou amoxicilina, por um período prolongado de 6 a 12 meses. A clindamicina é uma alternativa para pacientes alérgicos à penicilina.

Como a actinomicose se diferencia de outras infecções cervicofaciais?

A actinomicose é caracterizada pela cronicidade, formação de fístulas com grânulos de enxofre e a presença de bactérias filamentosas ramificadas no histopatológico. O diagnóstico diferencial inclui outras infecções bacterianas, fúngicas e neoplasias.

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