Acretismo Placentário: Risco em Placenta Prévia e Cesáreas

PUC Sorocaba - Pontifícia Universidade Católica de Sorocaba (SP) — Prova 2024

Enunciado

Gestante de 32 semanas apresenta sangramento vaginal após relação sexual, quando se esforça para evacuar e ao fazer alguma atividade física mais pesada. Esse sangramento se iniciou há 1 mês e tem aumentado progressivamente. Ela é IV Gesta e lll Para, com 3 cesáreas anteriores, último parto há 1,5 ano. O exame de ultrassom obstétrico revelou placenta de implantação anterior, grau Il, cuja borda inferior está a menos de 2 cm do orifício cervical interno, mas não trouxe informações adicionais. Assinale a alternativa CORRETA entre as abaixo relacionadas:

Alternativas

  1. A) Essa paciente é de alto risco para ser portadora de espectro do acretismo placentário, devendo ser encaminhada para centros de referência;
  2. B) O quadro clínico e o achado de ultrassonografia indicam um quadro de placenta prévia facilmente solucionável na realização da cesárea;
  3. C) Esses achados convergem para descolamento prematuro de placenta subclínico, que será confirmado em novo exame de ultrassonografia após 1 semana;
  4. D) O achado de ultrassonografia e o tipo de sangramento apresentado, se associam ao quadro de ruptura de seio marginal, confirmado após a dequitação.

Pérola Clínica

Placenta prévia + Múltiplas cesáreas → Alto risco de acretismo placentário.

Resumo-Chave

A paciente apresenta fatores de risco clássicos para acretismo placentário: placenta prévia (borda inferior a < 2 cm do OCI, embora não seja uma placenta prévia total, a localização anterior e a proximidade são relevantes) e histórico de múltiplas cesáreas. O sangramento vaginal progressivo reforça a suspeita. Nesses casos, a possibilidade de acretismo é alta, exigindo encaminhamento a centro de referência para manejo especializado.

Contexto Educacional

O espectro do acretismo placentário (placenta acreta, increta e percreta) é uma complicação obstétrica grave caracterizada pela aderência anormal da placenta ao miométrio, com potencial invasão da parede uterina e órgãos adjacentes. Sua incidência tem aumentado significativamente devido ao aumento das taxas de cesariana. É uma das principais causas de hemorragia pós-parto grave e histerectomia periparto. Os fatores de risco mais importantes para o acretismo placentário são a presença de placenta prévia em mulheres com histórico de cesáreas anteriores. A cicatriz uterina de uma cesariana prévia pode impedir a formação adequada da decídua basal, permitindo que as vilosidades coriônicas invadam diretamente o miométrio. Quanto maior o número de cesáreas e quanto mais próxima a placenta estiver da cicatriz, maior o risco. Outros fatores incluem curetagens uterinas prévias e idade materna avançada. O diagnóstico pré-natal é crucial para o planejamento do parto e a redução da morbimortalidade. A ultrassonografia é a ferramenta inicial, buscando sinais como perda da zona hipoecoica retroplacentária, lacunas vasculares placentárias e protrusão da placenta para fora do útero. A ressonância magnética pode ser útil em casos duvidosos. Dada a complexidade e os riscos associados, pacientes com suspeita de acretismo placentário devem ser encaminhadas para centros de referência com equipe multidisciplinar experiente para o manejo adequado.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para o espectro do acretismo placentário?

Os principais fatores de risco incluem placenta prévia, histórico de cesáreas anteriores (especialmente múltiplas), cirurgias uterinas prévias, curetagens e idade materna avançada.

Por que o histórico de cesáreas aumenta o risco de acretismo placentário?

As cesáreas anteriores criam cicatrizes uterinas que podem impedir a decidualização normal do endométrio, facilitando a invasão do miométrio pelas vilosidades coriônicas.

Qual a importância do encaminhamento para um centro de referência em casos de suspeita de acretismo placentário?

O acretismo placentário é uma condição de alto risco para hemorragia grave e morbimortalidade materna. O manejo exige equipe multidisciplinar, planejamento cirúrgico especializado e disponibilidade de recursos como banco de sangue, idealmente em centros de referência.

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