Acretismo Placentário: Risco em Gestante com Cesáreas Prévias

FESF-SUS - Fundação Estatal Saúde da Família (BA) — Prova 2022

Enunciado

Sônia está gestante com 33 semanas e já teve 4 cesáreas prévias. Em ultrassonografia, a placenta encontra-se anterior na região do segmento inferior. Nesse caso, a alternativa que contém a complicação que mais preocupa é

Alternativas

  1. A) acretismo placentário.
  2. B) trabalho de parto prematuro.
  3. C) rotura prematura de membranas.
  4. D) apresentação pélvica ou transversa.
  5. E) descolamento prematuro da placenta.

Pérola Clínica

4 cesáreas prévias + placenta anterior no segmento inferior (placenta prévia) → alto risco de acretismo placentário.

Resumo-Chave

A combinação de múltiplas cesáreas prévias e placenta prévia (especialmente anterior e no segmento inferior) é o principal fator de risco para o espectro de acretismo placentário. Essa condição pode levar a hemorragia maciça e histerectomia, sendo uma das complicações mais temidas na obstetrícia.

Contexto Educacional

O acretismo placentário é uma condição obstétrica grave caracterizada pela aderência anormalmente profunda da placenta à parede uterina, podendo invadir o miométrio (increta) ou até mesmo órgãos adjacentes (percreta). Sua incidência tem aumentado significativamente devido ao aumento das taxas de cesariana, sendo uma das principais causas de morbimortalidade materna grave. O diagnóstico precoce, muitas vezes pré-natal via ultrassonografia e ressonância magnética, é crucial para o planejamento do parto. Os principais fatores de risco para o acretismo placentário incluem a presença de placenta prévia (quando a placenta cobre total ou parcialmente o colo uterino) e a história de cesarianas prévias. A cada cesárea, o risco de acretismo aumenta exponencialmente, especialmente se a placenta se implanta sobre a cicatriz uterina anterior. No caso de Sônia, com 33 semanas, 4 cesáreas prévias e placenta anterior no segmento inferior (caracterizando placenta prévia), o risco de acretismo é extremamente elevado, tornando-o a complicação mais preocupante. O manejo do acretismo placentário exige uma equipe multidisciplinar experiente, incluindo obstetras, anestesiologistas, cirurgiões vasculares e urologistas, e deve ser realizado em centro terciário. O parto é geralmente programado por cesariana, muitas vezes com histerectomia concomitante, devido ao risco de hemorragia maciça. O conhecimento aprofundado dessa condição é vital para residentes de obstetrícia, permitindo a identificação de pacientes de risco e o planejamento adequado para otimizar os resultados maternos e fetais.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para acretismo placentário?

Os principais fatores de risco para acretismo placentário incluem placenta prévia (especialmente anterior), história de cesarianas prévias (o risco aumenta com o número de cesáreas), outras cirurgias uterinas prévias e idade materna avançada.

Por que a placenta prévia em gestantes com cesáreas prévias aumenta o risco de acretismo?

A placenta prévia, especialmente quando se implanta sobre uma cicatriz de cesárea anterior, aumenta o risco de acretismo porque a decídua basal pode estar deficiente ou ausente nessa área, permitindo que as vilosidades coriônicas invadam o miométrio.

Quais são as complicações mais graves do acretismo placentário?

As complicações mais graves do acretismo placentário incluem hemorragia maciça no parto, necessidade de histerectomia de emergência, lesão de órgãos adjacentes (bexiga, ureteres) e aumento da morbimortalidade materna.

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