Acretismo Placentário: Diagnóstico e Histerectomia Puerperal

HIAE/Einstein - Hospital Israelita Albert Einstein (SP) — Prova 2023

Enunciado

Gestante, 34 anos de idade, 37 semanas e 4 dias, 4G2Pc1A, chega no PS com polo cefálico coroando. O parto é ultimado, sem intercorrências. O recém-nascido nasce vigoroso e vai ao colo da mãe. Após 2 minutos do nascimento, a paciente apresenta sangramento vaginal abundante e queda do estado geral, com índice de choque de 0,9. Nota-se que houve dequitação parcial espontânea placentária. O útero está fortemente contraído na cicatriz umbilical e não existem lacerações de trajeto. Ao tentar terminar a dequitação da placenta, percebe-se que não há desprendimento placentário e solicita-se transferência à sala cirúrgica. Entre as opções abaixo, a conduta ideal para esta paciente deverá ser laparotomia exploradora de emergência e

Alternativas

  1. A) histerectomia puerperal.
  2. B) retirada da placenta com posterior histerorrafia.
  3. C) tentativa de reparo do local de lesão.
  4. D) histerectomia puerperal com placenta in loco.

Pérola Clínica

Hemorragia pós-parto + placenta retida não desprendível + instabilidade = suspeitar acretismo → histerectomia puerperal com placenta in loco.

Resumo-Chave

A paciente apresenta um quadro de hemorragia pós-parto grave com falha na dequitação placentária e instabilidade hemodinâmica (índice de choque 0,9). A impossibilidade de desprendimento placentário, mesmo com útero contraído e ausência de lacerações, é altamente sugestiva de acretismo placentário. Nesses casos, a conduta ideal para controle do sangramento e preservação da vida materna é a histerectomia puerperal com a placenta deixada 'in loco', evitando a tentativa de remoção manual que pode exacerbar a hemorragia.

Contexto Educacional

A hemorragia pós-parto (HPP) é uma das principais causas de morbimortalidade materna em todo o mundo. O acretismo placentário, uma condição em que os vilos coriais aderem anormalmente ao miométrio, é uma causa crescente de HPP grave, especialmente em pacientes com histórico de cesarianas prévias ou cirurgias uterinas. A incidência de acretismo tem aumentado, tornando seu reconhecimento e manejo cruciais para todos os profissionais que atuam na assistência ao parto. O diagnóstico de acretismo placentário é frequentemente suspeitado no intraparto, quando há falha na dequitação placentária após o nascimento do bebê, acompanhada de sangramento vaginal significativo e, por vezes, instabilidade hemodinâmica. A tentativa de remoção manual da placenta em casos de acretismo é contraindicada, pois pode levar a uma hemorragia maciça e incontrolável, com risco iminente de vida para a paciente. A avaliação do índice de choque (FC/PAS) é uma ferramenta rápida e eficaz para estimar a gravidade do choque hipovolêmico e guiar a ressuscitação. A conduta ideal para o acretismo placentário com sangramento ativo e instabilidade hemodinâmica é a histerectomia puerperal com a placenta deixada 'in loco'. Essa abordagem visa controlar a hemorragia de forma definitiva, minimizando os riscos associados à manipulação da placenta aderida. Para residentes, é fundamental dominar o diagnóstico diferencial das causas de HPP, reconhecer os sinais de acretismo e estar apto a tomar decisões rápidas e assertivas, como a indicação de histerectomia, para garantir a segurança e a sobrevida materna.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais que sugerem acretismo placentário em uma hemorragia pós-parto?

Sinais sugestivos de acretismo incluem sangramento vaginal abundante após o parto, falha na dequitação espontânea da placenta, impossibilidade de remover a placenta manualmente e, muitas vezes, instabilidade hemodinâmica. A ausência de lacerações e um útero bem contraído que, ainda assim, não expele a placenta reforçam a suspeita.

Por que a histerectomia puerperal com placenta in loco é a conduta ideal no acretismo placentário com sangramento ativo?

A histerectomia com placenta in loco é a conduta ideal porque a tentativa de remoção manual da placenta acreta pode causar hemorragia maciça e incontrolável, devido à invasão do miométrio pelos vilos placentários. A remoção do útero com a placenta aderida é a forma mais segura de controlar o sangramento e salvar a vida da paciente.

O que é o índice de choque obstétrico e qual sua relevância neste caso?

O índice de choque obstétrico é a razão entre a frequência cardíaca e a pressão arterial sistólica (FC/PAS). Um valor de 0,9 ou superior indica choque grave e instabilidade hemodinâmica, sinalizando a necessidade de intervenção imediata para controle da hemorragia e ressuscitação volêmica, como visto no caso da paciente.

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