Acretismo Placentário: Diagnóstico e Manejo em Gestantes

HIAE/Einstein - Hospital Israelita Albert Einstein (SP) — Prova 2024

Enunciado

Uma gestante que procura o pronto-socorro com queixa principal de sangramento genital foi atendida em 11/11/23. Vitalidade fetal preservada. Nega dores abdominais. G4P3A0. Histórico de 3 partos cesáreos. A data da última menstruação (DUM) é 18/02/2023 e é compatível com a ultrassonografia obstétrica inicial. Nesse caso, como a idade gestacional atual é de

Alternativas

  1. A) 37 semanas, no limite da prematuridade, deve-se aplicar injeção intramuscular de corticoide e prescrição de ácido tranexâmico.
  2. B) 38 semanas, considerando que a paciente não tem risco de descolamento prematuro da placenta, deve-se indicar parto cesáreo quando a paciente iniciar o trabalho de parto.
  3. C) 37 semanas, deve-se internar para observação e solicitação de ressonância magnética.
  4. D) 38 semanas e considerando as hipóteses de acretismo ou inserção baixa de placenta, agendar o parto cesáreo eletivo para amanhã. 

Pérola Clínica

Gestante G4P3A0 com 3 cesáreas prévias e sangramento vaginal → suspeitar acretismo/placenta prévia → agendar cesárea eletiva 37-38 semanas.

Resumo-Chave

Em gestantes com múltiplas cesáreas prévias e sangramento vaginal no terceiro trimestre, há alto risco de placenta prévia e acretismo placentário. A conduta é o agendamento de parto cesáreo eletivo entre 37 e 38 semanas para minimizar riscos de hemorragia maciça e complicações maternas.

Contexto Educacional

O acretismo placentário é uma condição grave caracterizada pela aderência anormal da placenta ao miométrio, com risco de invasão profunda (increta) ou até mesmo de órgãos adjacentes (percreta). Sua incidência tem aumentado devido ao crescimento das taxas de cesariana, sendo um dos principais desafios na obstetrícia moderna. A placenta prévia, especialmente em útero com cicatriz de cesariana, é o principal fator de risco. A fisiopatologia envolve a ausência ou deficiência da decídua basal, permitindo que as vilosidades coriônicas invadam o miométrio. O diagnóstico é frequentemente suspeitado por ultrassonografia no pré-natal, podendo ser complementado por ressonância magnética. A presença de sangramento vaginal no terceiro trimestre em uma gestante com histórico de cesáreas deve levantar forte suspeita de placenta prévia e acretismo. O manejo requer uma equipe multidisciplinar e planejamento cuidadoso do parto. O parto cesáreo eletivo é a conduta preferencial, geralmente agendado entre 37 e 38 semanas, em um centro com recursos para lidar com hemorragia maciça e, se necessário, histerectomia. A antecipação e o planejamento são cruciais para otimizar os resultados maternos e fetais, sendo um tema de grande relevância para a formação de residentes.

Perguntas Frequentes

Qual a relação entre cesáreas prévias e o risco de acretismo placentário?

O risco de acretismo placentário aumenta exponencialmente com o número de cesáreas prévias, especialmente quando há placenta prévia. A cicatriz uterina da cesárea anterior impede a decídua de se desenvolver adequadamente, permitindo a invasão do miométrio pelas vilosidades coriônicas.

Quando o parto cesáreo eletivo é indicado para placenta prévia com suspeita de acretismo?

O parto cesáreo eletivo é geralmente indicado entre 36 e 38 semanas de gestação. A decisão exata da idade gestacional depende da estabilidade da paciente, da presença de sangramentos e da avaliação dos riscos e benefícios para mãe e feto.

Quais são as principais complicações do acretismo placentário?

As principais complicações incluem hemorragia maciça durante o parto, necessidade de transfusão sanguínea, histerectomia de emergência, lesão de órgãos adjacentes (bexiga, ureteres) e aumento da morbimortalidade materna.

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