Acretismo Placentário: Diagnóstico Precoce e Manejo

FUBOG - Fundação Banco de Olhos de Goiás — Prova 2025

Enunciado

Paciente, sexo feminino, 32 anos, gestante com histórico de duas cesarianas anteriores e placenta de implantação anterior baixa. A conduta recomendada para o diagnóstico e planejamento do parto é:

Alternativas

  1. A) Realizar a avaliação ultrassonográfica apenas no terceiro trimestre.
  2. B) Realizar a avaliação ultrassonográfica entre 18 e 24 semanas de gestação.
  3. C) Planejar o parto para 37 semanas de gestação.
  4. D) Evitar o uso de corticosteroides antenatais.

Pérola Clínica

Gestante com cesarianas prévias e placenta anterior baixa → Rastreamento ultrassonográfico para acretismo entre 18-24 semanas.

Resumo-Chave

Em gestantes com fatores de risco para acretismo placentário, como cesarianas anteriores e placenta de implantação anterior baixa, a avaliação ultrassonográfica precoce entre 18 e 24 semanas é crucial. Isso permite o diagnóstico e planejamento adequado do parto, minimizando riscos de hemorragia e histerectomia.

Contexto Educacional

O acretismo placentário é uma condição grave caracterizada pela aderência anormal da placenta à parede uterina, podendo invadir o miométrio (increta) ou até órgãos adjacentes (percreta). Sua incidência tem aumentado devido ao crescimento das taxas de cesariana, sendo uma das principais causas de hemorragia pós-parto e histerectomia. É crucial para residentes e obstetras reconhecerem os fatores de risco e a importância do diagnóstico precoce para um manejo adequado. O diagnóstico do acretismo placentário é primariamente ultrassonográfico, com a janela ideal para rastreamento entre 18 e 24 semanas de gestação, especialmente em pacientes com cesarianas prévias e placenta de implantação anterior baixa. Sinais como perda da zona clara retroplacentária, lacunas vasculares placentárias e fluxo turbulento em Doppler são indicativos. A ressonância magnética pode ser um exame complementar em casos selecionados, mas a ultrassonografia é a ferramenta inicial e mais acessível. O manejo do acretismo placentário exige um planejamento cuidadoso do parto, que deve ocorrer em um centro terciário com equipe multidisciplinar (obstetras, cirurgiões vasculares, urologistas, anestesistas, intensivistas). A cesariana eletiva, geralmente entre 34 e 36 semanas, é a via de parto preferencial, com o objetivo de minimizar a perda sanguínea e preservar a vida materna. A histerectomia periparto é frequentemente necessária, e a preservação uterina é uma opção em casos muito selecionados e com alto risco.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para acretismo placentário?

Os principais fatores de risco incluem cesarianas anteriores, placenta prévia, cirurgias uterinas prévias (miomectomia), curetagens e idade materna avançada. A presença de placenta anterior baixa em gestantes com cesarianas prévias aumenta significativamente o risco.

Por que a avaliação ultrassonográfica entre 18 e 24 semanas é crucial para o acretismo?

Nesse período gestacional, as características ultrassonográficas do acretismo, como perda da zona clara retroplacentária e lacunas vasculares, são mais facilmente identificáveis. O diagnóstico precoce permite o planejamento de um parto em centro especializado, com equipe multidisciplinar e recursos para manejo de hemorragia.

Qual a conduta recomendada se houver suspeita de acretismo placentário?

Se houver suspeita de acretismo, a paciente deve ser encaminhada para um centro de referência com experiência no manejo dessa condição. O planejamento do parto geralmente envolve uma cesariana eletiva entre 34 e 36 semanas, com equipe cirúrgica e de anestesia preparadas para uma possível histerectomia e transfusão maciça.

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