Acretismo Cervical: Complicação Pós-Histerectomia Subtotal

CEOQ - Centro Especializado Oftalmológico Queiroz (BA) — Prova 2020

Enunciado

Mulher é submetida à histerectomia-cesárea (subtotal) por placenta prévia centro total. Transcorridas 3 horas do procedimento, passa a apresentar sangramento via vaginal importante. O diagnóstico provável é:

Alternativas

  1. A) acretismo cervical.
  2. B) coagulação intravascular disseminada.
  3. C) lesão de artéria uterina.
  4. D) deiscência de sutura.

Pérola Clínica

Histerectomia subtotal por placenta prévia + sangramento pós-op = suspeitar de acretismo cervical residual.

Resumo-Chave

A histerectomia-cesárea subtotal remove o corpo uterino, mas mantém o colo. Em casos de placenta prévia centro total, há um risco aumentado de acretismo placentário, que pode se estender ao colo uterino. Um sangramento vaginal importante 3 horas após o procedimento sugere que tecido placentário acretado no colo não foi removido, levando à hemorragia persistente, caracterizando o acretismo cervical.

Contexto Educacional

O acretismo placentário é uma condição grave caracterizada pela aderência anormalmente profunda da placenta à parede uterina, com invasão do miométrio. Sua incidência tem aumentado devido ao aumento das taxas de cesariana. A placenta prévia é um dos principais fatores de risco, especialmente quando associada a cicatrizes uterinas prévias. O acretismo pode ser classificado em increta (invasão do miométrio) e percreta (invasão além da serosa uterina, podendo atingir órgãos adjacentes). Em casos de placenta prévia centro total com suspeita de acretismo, a histerectomia-cesárea é frequentemente realizada. No entanto, se a histerectomia for subtotal, o colo uterino é preservado. Se houver acretismo que se estende ao colo (acretismo cervical), o tecido placentário residual no colo pode causar sangramento pós-operatório significativo, pois o colo não tem a mesma capacidade de contração do corpo uterino para hemostasia. O diagnóstico de acretismo cervical é desafiador e muitas vezes feito no intraoperatório ou pós-operatório diante de sangramento persistente. O manejo pode envolver a remoção cuidadosa do tecido placentário residual, embolização arterial ou, em casos refratários, histerectomia total. A prevenção e o planejamento pré-natal em casos de alto risco são fundamentais para otimizar os resultados maternos e fetais.

Perguntas Frequentes

O que é acretismo cervical e por que ocorre após histerectomia subtotal?

Acretismo cervical é a aderência anormal da placenta ao colo uterino. Após uma histerectomia subtotal (que preserva o colo), se a placenta prévia tinha acretismo que se estendia ao colo, o tecido placentário residual pode continuar a sangrar, pois não foi removido com o corpo uterino.

Quais são os fatores de risco para acretismo placentário?

Os principais fatores de risco para acretismo placentário incluem placenta prévia, cesarianas anteriores (especialmente múltiplas), cirurgias uterinas prévias (miomectomia), curetagens uterinas e idade materna avançada.

Como diferenciar acretismo cervical de outras causas de sangramento pós-histerectomia subtotal?

O acretismo cervical é sugerido por sangramento persistente e importante após a histerectomia subtotal, especialmente em pacientes com fatores de risco para acretismo. Outras causas, como atonia uterina, são menos prováveis após a remoção do corpo uterino. Lesão de vasos ou deiscência de sutura também são possibilidades, mas o histórico de placenta prévia direciona para acretismo.

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