UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2022
Casal jovem, não consanguíneo, tem um filho com acondroplasia, sem outros casos na família. No pré-natal da gestação seguinte, a ultrassonografia identifica feto com encurtamento de ossos longos e macrocrania. Qual é o modo de herança da acondroplasia e, nesse caso, qual é a causa da recorrência?
Acondroplasia: AD, mas recorrência em pais sem doença pode ser por mosaicismo gonadal.
A acondroplasia é uma doença autossômica dominante, mas a maioria dos casos é por mutação nova. A recorrência em pais fenotipicamente normais com mais de um filho afetado sugere mosaicismo gonadal, onde uma proporção das células germinativas dos pais carrega a mutação, aumentando o risco de recorrência para gestações futuras.
A acondroplasia é a forma mais comum de nanismo de membros curtos, afetando aproximadamente 1 em 25.000 nascidos vivos. É uma displasia esquelética causada por uma mutação no gene FGFR3, que codifica o receptor 3 do fator de crescimento de fibroblastos. Este gene desempenha um papel crucial na regulação do crescimento ósseo, e a mutação leva a uma superativação do receptor, inibindo a proliferação e diferenciação dos condrócitos na placa de crescimento. A herança da acondroplasia é autossômica dominante. No entanto, cerca de 80% dos casos são resultado de mutações novas (de novo) em indivíduos sem histórico familiar da condição. Nesses casos, o risco de recorrência para os pais é geralmente baixo, mas não nulo. A ocorrência de um segundo filho afetado em pais fenotipicamente normais, como descrito na questão, é um forte indicativo de mosaicismo gonadal em um dos pais. O mosaicismo gonadal implica que uma porção das células germinativas do pai ou da mãe carrega a mutação, mesmo que as células somáticas sejam normais, aumentando o risco de recorrência para gestações subsequentes. O diagnóstico pré-natal pode ser feito por ultrassonografia, que revela encurtamento dos ossos longos e macrocrania. A confirmação é por análise molecular do gene FGFR3. O aconselhamento genético é fundamental para casais com histórico de acondroplasia, especialmente em casos de mosaicismo gonadal, para informar sobre os riscos de recorrência e as opções de diagnóstico pré-natal.
A acondroplasia é uma doença genética com herança autossômica dominante, causada por mutações no gene FGFR3, que codifica o receptor 3 do fator de crescimento de fibroblastos.
Mosaicismo gonadal ocorre quando uma parte das células germinativas de um dos pais possui a mutação, mesmo que o pai não manifeste a doença. Isso eleva o risco de ter múltiplos filhos afetados, apesar de os pais serem fenotipicamente normais.
A ultrassonografia pode identificar encurtamento de ossos longos (rizomelia), macrocrania, fronte proeminente e hipoplasia da face média, que são achados sugestivos de acondroplasia.
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