USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2025
Mulher, 25 anos de idade, procurou recentemente uma Unidade Básica de Saúde na cidade de São Paulo, debilitada fisicamente, com queixa de febre, especialmente à tarde, astenia e tosse. Não sabe precisar exatamente há quanto tempo. Ela não é moradora da região, diz não ter residência fixa e que trabalha nas ruas próximas à Unidade como profissional do sexo. Relata ter diagnóstico de soropositividade para o HIV.Não sendo moradora da área de cobertura da Unidade, qual deve ser a conduta do serviço frente ao caso?
Paciente vulnerável (rua, HIV) com sintomas inespecíficos → Acolhimento e avaliação IMEDIATA na UBS, pela relevância clínica e epidemiológica.
Em casos de pacientes em situação de vulnerabilidade social (população de rua, profissional do sexo) e com comorbidades importantes (HIV), a UBS deve realizar o acolhimento e avaliação imediata, independentemente da área de cobertura. A importância clínica e epidemiológica do caso exige ação rápida para diagnóstico e início de tratamento, especialmente para doenças como tuberculose.
O Sistema Único de Saúde (SUS) preconiza a universalidade, equidade e integralidade do acesso à saúde. A Unidade Básica de Saúde (UBS) é a porta de entrada preferencial e ordenadora do cuidado na Atenção Primária à Saúde (APS). O acolhimento é um dos princípios da APS, visando a escuta qualificada e a resolução das necessidades de saúde do usuário, independentemente de sua condição social ou local de moradia. Pacientes em situação de vulnerabilidade social, como a população de rua e profissionais do sexo, frequentemente enfrentam barreiras no acesso aos serviços de saúde. A presença de comorbidades como o HIV agrava o quadro, aumentando o risco de infecções oportunistas, como a tuberculose, que possui grande relevância epidemiológica. Nesses casos, a avaliação imediata na UBS é fundamental para um diagnóstico precoce e início de tratamento, evitando a progressão da doença e a disseminação na comunidade. A conduta de acolher e avaliar imediatamente o paciente, mesmo que não seja da área de cobertura, reflete os princípios do SUS e a responsabilidade da APS. O encaminhamento para serviços especializados ou para o 'Consultório na Rua' pode ser uma etapa posterior, após a estabilização clínica e a garantia do início do cuidado. A priorização desses casos contribui para a redução das iniquidades em saúde e para o controle de doenças de interesse epidemiológico.
A UBS deve ser a porta de entrada para a população de rua, oferecendo acolhimento, avaliação de saúde integral, diagnóstico e tratamento. Mesmo que o paciente não seja da área de cobertura, a urgência clínica e a vulnerabilidade social justificam o atendimento imediato.
Pacientes com HIV são imunocomprometidos e têm maior risco de desenvolver infecções oportunistas graves, como a tuberculose. Sintomas como febre e tosse exigem investigação rápida para diagnóstico precoce e início de tratamento, prevenindo agravamento e transmissão.
O 'Consultório na Rua' é uma equipe multiprofissional que atua de forma itinerante, levando atendimento de saúde para a população em situação de rua. É indicado para alcançar aqueles que não acessam as UBS, mas não substitui o acolhimento na unidade quando o paciente busca o serviço diretamente.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo