Fundhacre - Fundação Hospital Estadual do Acre — Prova 2021
No sua UBS, numa manhã de sexta-feira, aquele dia separado só para as visitas domiciliares chega uma senhora desesperada, chorando muito, inconsolável; a equipe desesperada e com medo já coloca a paciente em uma sala e chama o seu preceptor! Esse por sua vez, pensando esta ser uma excelente oportunidade para você demonstrar seus conhecimentos de saúde mental na atenção primária em saúde, com uma leve sudorese e um frio na barriga você se direciona a sala; A paciente em questão é Dona Joaquina, 65 anos, cliente antiga, conhecida por semanalmente ir na UBS renovar a receitinha de clonazepam 2mg e de nimesulida; a consulta se inicia: ''O que está se passando com a senhora Dona Joaquina?'' A paciente já um pouco recomposta inicia: ''Doutor, meu amado filho saiu de casa faz 1 mês! Desde então todo dia tô tendo falta de ar sabe?! Meu peito dói, dá tipo um vazio, minha artrose do joelho tá atacada, meu corpo inteiro e qualquer coisa tô chorando sabe doutor?! Acho que tô com aquela tal de depressão sabe, porque é só eu passar no quartinho dele, e já vem essas coisas ruim tudim denovo e o choro vem fácil! Vim aqui doutor pra ver se o senhor me passa algum remédio pra dar fim nesse choro sabe? Aquele tal de antidepressivo que o pessoal fala, podia ser até esse que minha vizinha toma, esse amitril de 25mg''. Diante o diálogo iniciado acima, qual seria a conduta adequada:
Em saúde mental na atenção primária, acolhimento e escuta ativa são cruciais antes de medicar, especialmente em luto ou transtornos de adaptação.
A abordagem inicial em saúde mental na atenção primária deve priorizar o acolhimento e a escuta qualificada. Nem todo sofrimento psíquico demanda medicação imediata; muitas vezes, a intervenção breve e o acompanhamento longitudinal são mais eficazes, especialmente em contextos de luto ou estresse.
A saúde mental na Atenção Primária à Saúde (APS) é um pilar fundamental para o cuidado integral do paciente. Muitos indivíduos buscam ajuda na UBS para sofrimento psíquico, que pode variar desde reações normais ao estresse e luto até transtornos mentais mais complexos. A capacidade de acolher, escutar e diferenciar essas condições é crucial para o médico da APS. O caso de Dona Joaquina ilustra a importância de uma abordagem centrada na pessoa. Seus sintomas, embora angustiantes, parecem estar diretamente relacionados a um evento estressor (saída do filho), sugerindo um luto não complicado ou um transtorno de adaptação. A medicalização imediata, especialmente com fármacos como amitriptilina (que tem efeitos colaterais e não é a primeira escolha para depressão em idosos) ou o encaminhamento precipitado, pode ser inadequada. A conduta ideal envolve aprofundar a anamnese, permitindo que a paciente discorra sobre suas emoções e o impacto da situação. Intervenções breves, apoio psicossocial e acompanhamento regular podem ser suficientes para o controle dos sintomas, evitando a polifarmácia e a dependência. O médico da APS deve ser capaz de identificar sinais de alerta para quadros mais graves, mas também de manejar o sofrimento psíquico comum com empatia e recursos terapêuticos não farmacológicos.
O acolhimento é fundamental para estabelecer vínculo e confiança, permitindo que o paciente se sinta seguro para expressar suas queixas. É o primeiro passo para uma avaliação completa e para a construção de um plano terapêutico adequado.
A medicação deve ser considerada após uma avaliação completa, quando as intervenções não farmacológicas (escuta, apoio psicossocial, intervenção breve) não forem suficientes, ou em casos de transtornos psiquiátricos moderados a graves com indicação clara.
O luto não complicado geralmente tem um curso autolimitado, com sintomas que flutuam e se relacionam com a perda, enquanto a depressão maior apresenta sintomas mais persistentes, pervasivos e com maior prejuízo funcional, além de critérios diagnósticos específicos.
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