FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2023
Menino, 6 anos, foi ''picado por um bicho'', não soube qual. Seus pais ficaram apavorados, pois outras crianças foram picadas por escorpião ali no bairro e uma das crianças com 5 anos morreu. Levaram o filho assintomático para a UPA. O paciente passou pelo acolhimento e classificação de risco com uma enfermeira, sendo classificado em azul (prioridade 3 - consultas de baixa complexidade - atendimento de acordo com o horário de chegada) podendo ser o atendimento até em 1 hora. Após 50 min, a criança referiu dor forte no local da picada, muita sudorese e os pais observaram vermelhidão e inchaço no local. Esta evolução reforçou a possibilidade de um acidente por picada de escorpião, e assim chamaram a enfermeira. A enfermeira avaliou imediatamente, sendo que o paciente foi reclassificado em vermelho (prioridade zero - emergência, necessidade de atendimento imediato), pois pode ter evolução muito grave e óbito. Foi encaminhado urgente para a Emergência do HE (Hospital de Ensino) que é referência para a aplicação de soro antiescorpiônico. Em relação a este caso pode-se afirmar que:
ACR: Ferramenta essencial na reorganização da urgência e cuidado em rede, adaptando-se à evolução do quadro.
O Acolhimento com Classificação de Risco (ACR) é uma ferramenta dinâmica e crucial na gestão de urgências, permitindo priorizar o atendimento com base na gravidade clínica. Sua capacidade de reclassificação, como no caso da picada de escorpião, demonstra sua importância na garantia de um cuidado adequado e em tempo hábil, integrando a rede de atenção à saúde.
O Acolhimento com Classificação de Risco (ACR) é uma diretriz fundamental da Política Nacional de Humanização (PNH) e da Rede de Atenção às Urgências (RAU) no Brasil. Ele representa uma mudança de paradigma no atendimento de urgência, passando de um modelo baseado na ordem de chegada para um modelo baseado na gravidade clínica, garantindo o acesso equitativo e a segurança do paciente. O ACR é uma atividade realizada por enfermeiros capacitados, que avaliam o paciente na chegada à unidade de urgência, identificando queixas, sinais e sintomas para atribuir uma prioridade de atendimento (geralmente por cores, como no Protocolo de Manchester). Esta ferramenta não apenas organiza o fluxo, mas também estabelece o primeiro contato humanizado e qualificado com o paciente, oferecendo escuta e acolhimento. A capacidade de reclassificação é vital, pois o estado clínico pode mudar rapidamente, exigindo uma nova avaliação e ajuste da prioridade. Ao extrapolar o espaço de gestão local, o ACR configura-se como uma intervenção decisiva na reorganização das portas de urgência e na implementação do cuidado em rede. Ele permite que as unidades de saúde funcionem de forma mais eficiente, encaminhando os pacientes para o nível de atenção adequado e garantindo que os casos mais graves recebam atenção imediata, como exemplificado pelo caso da picada de escorpião, onde a rápida reclassificação pode ser a diferença entre a vida e a morte.
O principal objetivo é identificar rapidamente os pacientes que necessitam de atendimento imediato devido à gravidade do seu quadro clínico, priorizando-os e garantindo a segurança e a equidade no acesso aos serviços de urgência.
O ACR deve ser realizado por profissional de nível superior da enfermagem, preferencialmente com experiência em serviço de urgência e após capacitação específica para a atividade, utilizando protocolos validados como o de Manchester.
A reclassificação é crucial porque o quadro clínico de um paciente pode evoluir rapidamente. Em acidentes por animais peçonhentos, por exemplo, sintomas podem surgir ou agravar-se, exigindo uma nova avaliação e priorização para evitar desfechos graves.
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