Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2021
Em uma unidade de saúde da família que implementou o acolhimento em roda, aguardam atendimento Ana, Beto, Carla e Douglas.Ana, de 56 anos de idade, empregada doméstica, em acompanhamento por transtorno depressivo moderado, tinha aumentado a dose de fluoxetina havia 4 semanas e está pensando em suspender a medicação.Beto, um homem jovem, está preocupado por apresentar ardência ao urinar, sintoma que tinha surgido depois de ele ter-se relacionado com uma profissional do sexo.Carla, puérpera (parto normal), levou sua filha, de 5 dias de vida, para a primeira consulta, relatando que a bebê estava “com o olhinho remelando muito e inchado” (sic).Douglas, idoso, em uso de sonda vesical de demora, dormia em cadeira de rodas. Conforme relato de um familiar que o acompanhava, fazia dois dias que o idoso estava sonolento, “quentinho” (sic), sem querer comer nada e com fezes amolecidas.A partir dessa situação hipotética, assinale a opção correta, de acordo com a Política Nacional de Humanização e com o Caderno de Atenção Básica 28 – acolhimento à demanda espontânea (volumes I e II).
Acolhimento na AB: priorizar urgências, enfermagem pode conduzir casos sindrômicos conforme protocolos.
O acolhimento na Atenção Básica é um processo de escuta qualificada e avaliação de risco, que permite a classificação e o encaminhamento adequado dos pacientes. A enfermagem desempenha um papel crucial, podendo realizar consultas e iniciar tratamentos sindrômicos, especialmente em casos como as Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs), seguindo protocolos estabelecidos.
O acolhimento na Atenção Básica é uma diretriz da Política Nacional de Humanização (PNH) e um componente essencial da organização do processo de trabalho nas Unidades de Saúde da Família. Ele visa qualificar a escuta, avaliar a demanda e o risco, e garantir o acesso humanizado e resolutivo aos serviços de saúde, sem filas ou barreiras. A equipe multiprofissional, incluindo enfermeiros, desempenha um papel crucial nesse processo. Conforme o Caderno de Atenção Básica 28, a consulta de enfermagem é uma ferramenta poderosa no acolhimento à demanda espontânea. Enfermeiros, com base em protocolos clínicos e diretrizes nacionais, podem realizar a avaliação inicial, solicitar exames complementares e iniciar tratamentos sindrômicos para diversas condições, como as Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs). Isso otimiza o fluxo, reduz a sobrecarga médica e empodera a equipe. Para residentes, é vital compreender que o acolhimento não é apenas uma triagem, mas um momento de vínculo e responsabilização. A capacidade de identificar prioridades, como urgências pediátricas (ex: conjuntivite neonatal) ou quadros graves em idosos, e de delegar responsabilidades conforme a competência profissional, é fundamental para uma prática eficaz e humanizada na Atenção Básica, preparando-os para os desafios da saúde pública.
O acolhimento é fundamental para organizar o fluxo de atendimento, garantir a escuta qualificada, identificar necessidades e riscos, e priorizar casos, assegurando que o paciente receba a atenção adequada no momento certo, promovendo a humanização do cuidado e a resolutividade.
A enfermagem tem autonomia para realizar consultas de enfermagem, solicitar exames e iniciar tratamentos conforme protocolos clínicos estabelecidos, especialmente em casos de condições crônicas estáveis, puericultura, pré-natal de baixo risco e tratamento sindrômico de ISTs, como no caso de Beto.
A conjuntivite neonatal, especialmente a gonocócica, pode levar a complicações graves como cegueira se não for tratada prontamente. Portanto, um recém-nascido com 'olhinho remelando e inchado' deve ser avaliado e tratado com urgência, não podendo ter a consulta adiada.
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