UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2025
Homem de 50 anos, internado em UTI, foi diagnosticado com pneumonia associada à ventilação mecânica. Hemocultura: Acinetobacter baumannii resistente aos carbapenêmicos. Segundo o guideline da Infectious Disease Society of America, o tratamento deve ser com:
CRAB → Ampicilina-sulbactam (altas doses) + agente secundário (Tigeciclina/Minociclina) é a escolha IDSA.
Para Acinetobacter resistente a carbapenêmicos, o sulbactam é a base do tratamento devido à sua afinidade intrínseca pelas PBPs do patógeno, geralmente associado a um segundo fármaco.
O manejo do Acinetobacter baumannii resistente a carbapenêmicos (CRAB) representa um dos maiores desafios na medicina intensiva contemporânea. A fisiopatologia da resistência envolve frequentemente a produção de oxacilinases (OXA-23, OXA-24/40, OXA-58) e alterações de porinas. O guideline da IDSA de 2023 reforça que a terapia combinada é preferível à monoterapia para infecções moderadas a graves. A escolha da ampicilina-sulbactam baseia-se na saturação das PBPs pelo componente sulbactam, exigindo monitoramento de função renal para ajuste de dose, enquanto a tigeciclina ou minociclina oferecem cobertura adicional por vias metabólicas distintas.
O sulbactam possui atividade bactericida intrínseca contra o Acinetobacter baumannii ao se ligar às proteínas de ligação à penicilina (PBPs), especificamente PBP1 e PBP3. Em casos de resistência a carbapenêmicos (CRAB), o IDSA recomenda doses elevadas (até 6g-9g de sulbactam por dia) em combinação com outros agentes para superar os mecanismos de resistência e garantir eficácia clínica.
A tigeciclina é considerada um agente de segunda linha ou adjuvante no tratamento de infecções graves por Acinetobacter baumannii multirresistente. Devido ao seu grande volume de distribuição, os níveis séricos podem ser baixos, por isso é frequentemente utilizada em doses dobradas (ataque de 200mg e manutenção de 100mg 12/12h) e sempre em terapia combinada para pneumonia.
As polimixinas (B ou Colistina) são reservadas para casos onde não há resposta ou possibilidade de uso de esquemas baseados em sulbactam. No entanto, as diretrizes atuais do IDSA priorizam combinações com ampicilina-sulbactam em altas doses devido à melhor evidência de desfecho clínico e menor toxicidade renal em comparação com regimes baseados puramente em polimixinas.
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