Tratamento de Acinetobacter baumannii em Choque Séptico

SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2025

Enunciado

Homem, 70 anos de idade, encontra-se internado em Unidade de Terapia Intensiva, há 10 dias, após cirurgia abdominal para correção de perfuração intestinal. Apresenta febre persistente, taquicardia e hipotensão, apesar de reposição volêmica adequada. Exames laboratoriais revelam leucocitose, acidose metabólica e níveis elevados de lactato. Culturas de sangue e secreção de ferida cirúrgica mostram crescimento de Acinetobacter baumanni, ainda sem resultado do antibiograma. O paciente está sob ventilação mecânica e suporte vasopressor.\n\nDiante do caso, indique a terapia antimicrobiana inicial mais adequada:

Alternativas

  1. A) Cefalosporina de 4ª geração.
  2. B) Polimixina-B associada à tigeciclina.
  3. C) Vancomicina associada à piperacilina-tazobactam.
  4. D) Daptomicina e ceftazidima-avibactam.

Pérola Clínica

Acinetobacter baumannii MDR → Polimixina B + Tigeciclina (sinergismo para cepas resistentes).

Resumo-Chave

Em infecções graves por Acinetobacter baumannii, especialmente em ambiente de UTI e pós-operatório complexo, a terapia combinada com Polimixina B e Tigeciclina é frequentemente necessária devido à alta prevalência de resistência aos carbapenêmicos.

Contexto Educacional

O Acinetobacter baumannii é um dos patógenos mais desafiadores na medicina intensiva moderna. Sua classificação como 'não fermentador' e sua plasticidade genômica permitem a aquisição rápida de genes de resistência, tornando-o frequentemente sensível apenas a drogas 'de última linha' como as polimixinas. O manejo clínico exige não apenas a escolha correta do antimicrobiano, mas também o controle do foco infeccioso e suporte hemodinâmico agressivo.\n\nA escolha entre Polimixina B e Polimixina E (Colistina) depende da farmacocinética desejada; a Polimixina B é preferida para infecções sistêmicas por ter níveis séricos mais previsíveis e menor dependência da função renal para sua depuração ativa. A associação com a Tigeciclina é comum, apesar de a Tigeciclina não atingir níveis séricos altos, sendo muito eficaz em tecidos e infecções intra-abdominais.

Perguntas Frequentes

Por que usar Polimixina B e Tigeciclina para Acinetobacter?

O Acinetobacter baumannii é um patógeno oportunista com alta capacidade de desenvolver multirresistência, especialmente a carbapenêmicos. A combinação de Polimixina B (que atua na membrana externa) com Tigeciclina (que inibe a síntese proteica) busca um efeito sinérgico para superar mecanismos de resistência, como bombas de efluxo e carbapenemases. Essa estratégia é reservada para casos graves onde as opções terapêuticas são limitadas, visando reduzir a mortalidade em pacientes críticos com choque séptico.

Quais os principais efeitos colaterais da Polimixina B?

A nefrotoxicidade é o efeito adverso mais comum e limitante da Polimixina B, manifestando-se por redução da taxa de filtração glomerular e necessidade de monitoramento rigoroso da função renal. Além disso, a neurotoxicidade (parestesias, tontura e bloqueio neuromuscular) pode ocorrer, embora seja menos frequente com as formulações modernas. O ajuste de dose em pacientes com insuficiência renal é complexo e deve seguir protocolos institucionais específicos para evitar subdosagem ou toxicidade excessiva.

Quando suspeitar de Acinetobacter baumannii na UTI?

Deve-se suspeitar em pacientes com internação prolongada, uso prévio de antibióticos de amplo espectro, presença de dispositivos invasivos (ventilação mecânica, cateteres) e em surtos hospitalares conhecidos. O Acinetobacter sobrevive bem em superfícies inanimadas, facilitando a transmissão horizontal. Clinicamente, manifesta-se como pneumonia associada à ventilação, infecções de corrente sanguínea ou infecções de sítio cirúrgico em pacientes debilitados que não respondem à terapia empírica inicial padrão.

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