Acidose Tubular Renal Tipo I: Diagnóstico e Manifestações

UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2025

Enunciado

Um paciente de 45 anos, com antecedente de síndrome de Sjögrem procura o pronto atendimento queixando-se de parestesias e cansaço fácil. Na admissão a pressão arterial era 120 x 60mmHg, ausculta cardíaca e pulmonar sem alterações, sem sinais neurológicos focais. Tem os resultados laboratoriais realizados há 2 dias: sódio sérico- 138 mEq/L; potássio sérico-3.0 mEq/L; cloreto sérico- 112 mEq/L; HCO₃- 15 mEq/L, pH arterial- 7.25 e fósforo sérico normal. No exame de urina pH- 5.8; sódio- 15 mEq/L; potássio- 10 mEq/L e cloreto de 12 mEg/L. O diagnóstico mais provável, neste caso, é:

Alternativas

  1. A) Acidose tubular renal tipo I
  2. B) Acidose tubular renal tipo II
  3. C) Síndrome de Gitelman
  4. D) Acidose tubular renal tipo III
  5. E) Síndrome de Liddle

Pérola Clínica

Acidose metabólica com ânion gap normal + hipocalemia + pH urinário > 5.5 = ATR tipo I.

Resumo-Chave

A Acidose Tubular Renal tipo I (distal) é caracterizada pela incapacidade dos túbulos distais de secretar íons hidrogênio, resultando em acidose metabólica com ânion gap normal, hipocalemia e um pH urinário inadequadamente alto (> 5.5) mesmo na presença de acidemia sistêmica. A síndrome de Sjögren é uma causa comum de ATR tipo I.

Contexto Educacional

A Acidose Tubular Renal (ATR) é um grupo de distúrbios caracterizados pela incapacidade dos rins de excretar ácidos ou reabsorver bicarbonato, resultando em acidose metabólica com ânion gap normal. A ATR tipo I, ou distal, é causada por um defeito na secreção de íons hidrogênio pelas células intercaladas do túbulo coletor distal. Isso leva à incapacidade de acidificar a urina, mesmo em um estado de acidose sistêmica, sendo uma condição importante no diagnóstico diferencial de distúrbios ácido-base. Clinicamente, pacientes com ATR tipo I podem apresentar sintomas inespecíficos como fraqueza, fadiga e parestesias devido à hipocalemia. A acidose metabólica crônica pode levar a osteomalácia, nefrocalcinose e nefrolitíase. O diagnóstico laboratorial é feito pela presença de acidose metabólica com ânion gap normal, hipocalemia e um pH urinário persistentemente acima de 5.5. A Síndrome de Sjögren é uma causa autoimune comum de ATR tipo I, devido à inflamação intersticial renal. O tratamento da ATR tipo I consiste na reposição de bicarbonato para corrigir a acidose e suplementação de potássio para a hipocalemia. O prognóstico é geralmente bom com tratamento adequado, mas a não correção da acidose pode levar a complicações renais e ósseas a longo prazo. É crucial o acompanhamento para monitorar eletrólitos e função renal, especialmente em pacientes com doenças autoimunes associadas.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais características laboratoriais da Acidose Tubular Renal tipo I?

A ATR tipo I se manifesta com acidose metabólica com ânion gap normal, hipocalemia e um pH urinário que permanece acima de 5.5, mesmo na presença de acidemia sistêmica.

Qual a relação entre a Síndrome de Sjögren e a Acidose Tubular Renal tipo I?

A Síndrome de Sjögren é uma das causas mais comuns de ATR tipo I, devido à infiltração linfocitária e dano aos túbulos renais distais, comprometendo a secreção de hidrogênio.

Como diferenciar a Acidose Tubular Renal tipo I da tipo II?

A principal diferença é o pH urinário: na ATR tipo I, o pH urinário é persistentemente > 5.5. Na ATR tipo II, o pH urinário pode ser < 5.5 após a depleção do bicarbonato, pois o defeito é na reabsorção proximal.

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