Interpretação de Gasometria no DPOC Exacerbado

SMS João Pessoa - Secretaria Municipal de Saúde de João Pessoa (PB) — Prova 2026

Enunciado

Um homem de 68 anos, tabagista há 40 anos, é admitido no pronto socorro com piora da dispneia e aumento da tosse com expectoração purulenta nos últimos dois dias. Ao exame físico, apresenta uso de musculatura acessória, com sibilos difusos à ausculta pulmonar. Saturação de oxigênio em ar ambiente é de 86%. A gasometria arterial revelou os seguintes resultados: pH = 7,30; PaCO2 = 60 mmHg; PaO2 = 55 mmHg; HCO3 = 30 mEq/L. Com base na gasometria arterial, o diagnóstico mais provável para este paciente é:

Alternativas

  1. A) Acidose respiratória crônica compensada, pois o bicarbonato está elevado e o pH normalizado.
  2. B) Acidose respiratória aguda sobreposta à crônica, porque o pH está acidótico, apesar do bicarbonato elevado.
  3. C) Alcalose metabólica compensada, uma vez que o bicarbonato elevado compensa a acidose respiratória.
  4. D) Acidose metabólica, pois o pH está baixo e o bicarbonato está anormal.
  5. E) Alcalose respiratória aguda, porque o PaCO2 está aumentado e o pH está acima do normal.

Pérola Clínica

pH ↓ + PaCO2 ↑ + HCO3 ↑ (mas pH ainda < 7,35) = Acidose respiratória aguda sobreposta à crônica.

Resumo-Chave

No DPOC, o rim retém HCO3 para compensar a hipercapnia crônica. Na exacerbação, o PaCO2 sobe rápido demais para a compensação renal total, resultando em acidemia.

Contexto Educacional

A interpretação da gasometria arterial no DPOC exacerbado exige a compreensão da fisiologia ácido-básica e dos mecanismos de compensação. O paciente tabagista crônico com tosse e expectoração purulenta apresenta um quadro clássico de exacerbação infecciosa. A gasometria revela pH 7,30 (acidemia), PaCO2 60 mmHg (hipercapnia) e HCO3 30 mEq/L (elevado). Se a acidose fosse puramente aguda, o HCO3 esperado para uma PaCO2 de 60 seria de aproximadamente 26 mEq/L. Se fosse puramente crônica compensada, o pH estaria próximo de 7,35-7,38. O achado de um pH nitidamente ácido com um bicarbonato já elevado indica que o paciente tinha uma compensação prévia (crônica) e sofreu um insulto respiratório recente (agudo) que superou sua capacidade de compensação, definindo a acidose respiratória aguda sobreposta à crônica.

Perguntas Frequentes

Como diferenciar acidose respiratória aguda de crônica?

A diferenciação baseia-se no grau de compensação renal (elevação do bicarbonato). Na acidose respiratória aguda, para cada 10 mmHg de aumento na PaCO2, o HCO3 aumenta apenas cerca de 1 mEq/L via mecanismos de tamponamento intracelular. Na acidose respiratória crônica (após 3-5 dias), os rins retêm bicarbonato de forma mais eficiente, aumentando o HCO3 em cerca de 3,5 a 4 mEq/L para cada 10 mmHg de aumento na PaCO2. Se o pH estiver normalizado (7,35-7,45) com PaCO2 alta, a acidose é crônica compensada. Se o pH estiver baixo apesar do HCO3 elevado, há um componente agudo novo.

O que caracteriza a acidose respiratória aguda sobreposta à crônica?

Esta condição ocorre tipicamente em pacientes com doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) que já vivem em um estado de hipercapnia crônica compensada (PaCO2 alta e HCO3 alto, com pH próximo ao normal). Durante uma exacerbação aguda (infecção, broncoespasmo), a ventilação alveolar piora subitamente, elevando ainda mais a PaCO2. Como o rim leva dias para ajustar o bicarbonato a esse novo patamar, o pH cai bruscamente, resultando em acidemia (pH < 7,35) sobreposta a um bicarbonato que já era previamente elevado.

Qual o papel do bicarbonato na gasometria do paciente com DPOC?

O bicarbonato (HCO3) atua como o principal mecanismo de compensação metabólica para a acidose respiratória. No paciente com DPOC 'retentor de CO2', os rins aumentam a reabsorção de HCO3 e a excreção de íons H+ para manter o pH sanguíneo dentro da faixa de normalidade, apesar da hipoventilação crônica. Um HCO3 elevado (ex: > 28-30 mEq/L) em um paciente hipercápnico é um marcador de cronicidade da doença respiratória, indicando que o distúrbio existe há pelo menos vários dias.

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