SMS Goiânia - Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia (GO) — Prova 2020
Um paciente apresenta o seguinte resultado de gasometria arterial: pH do plasma = 7,28. HCO3- do plasma = 32 mEq/L e PCO2 do plasma = 70 mmHg. Valores de referência: pH=7,35-7,45; pCO2=35-45 mmHg; HCO3=22-26 mEq/L. Qual é o distúrbio ácido-básico desse paciente?
pH ↓ + pCO2 ↑ + HCO3 ↑ → Acidose respiratória com compensação renal parcial.
O pH baixo indica acidose. A pCO2 elevada identifica a causa respiratória. O HCO3 elevado mostra que o rim iniciou a retenção de base para compensar, mas o pH ainda não normalizou.
A interpretação de gasometria arterial é um pilar fundamental na medicina intensiva e de emergência. O caso apresenta um pH de 7,28 (acidemia), uma pCO2 de 70 mmHg (hipercapnia severa) e um HCO3 de 32 mEq/L (elevado). A relação causal primária é o aumento da pCO2 gerando a queda do pH, caracterizando a acidose respiratória. O aumento do bicarbonato para 32 mEq/L (referência até 26) indica que o sistema renal está retendo HCO3- e excretando H+ para tamponar a acidez. Como o pH ainda não atingiu 7,35, o distúrbio é classificado como parcialmente compensado. Este padrão é comum em pacientes com patologias respiratórias crônicas agudizadas ou em evolução de compensação metabólica lenta.
A compensação renal na acidose respiratória é identificada pelo aumento dos níveis de bicarbonato (HCO3-) no plasma. Em quadros agudos, o aumento é discreto (cerca de 1 mEq/L para cada 10 mmHg de pCO2). Em quadros crônicos ou em fase de compensação parcial, esse aumento é mais pronunciado (cerca de 3,5 a 4 mEq/L para cada 10 mmHg de pCO2), visando elevar o pH em direção à normalidade.
Uma compensação é considerada parcial quando os mecanismos secundários (neste caso, o renal) já estão atuando para normalizar o pH, alterando os níveis de HCO3, mas o valor final do pH ainda permanece fora da faixa de normalidade (7,35-7,45). Se o pH estivesse normal, a compensação seria total ou completa.
As causas principais envolvem qualquer condição que gere hipoventilação alveolar, como DPOC, asma grave, depressão do centro respiratório por drogas (opioides), doenças neuromusculares (Guillain-Barré, Miastenia Gravis) ou obstrução de vias aéreas, levando ao acúmulo de CO2.
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