Acidose Respiratória em DPOC: Diagnóstico e Manejo com VNI

FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2025

Enunciado

Uma mulher de 70 anos de idade, acometida por doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), em tratamento contínuo com broncodilatador de longa duração, chegou ao pronto atendimento com quadro de dispneia progressiva, tosse produtiva com expectoração purulenta e aumento da frequência respiratória. A gasometria arterial revela pH de 7,28, pCO₂ de 58 mmHg, HCO₃⁻ de 26 mEq/L e pO₂ de 50 mmHg em ar ambiente. Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa que apresenta o diagnóstico acidobásico indicado e a conduta recomendada.

Alternativas

  1. A) acidose respiratória aguda; iniciar ventilação mecânica invasiva
  2. B) acidose respiratória crônica; ajustar a terapia broncodilatadora e iniciar corticosteroides sistêmicos
  3. C) acidose respiratória aguda sobreposta à crônica; iniciar ventilação não invasiva (VNI) e antibioticoterapia
  4. D) acidose metabólica com alcalose respiratória compensatória; iniciar bicarbonato intravenoso
  5. E) acidose metabólica não compensada; ajustar dose de broncodilatadores

Pérola Clínica

DPOC + pH ↓, pCO₂ ↑, HCO₃⁻ normal/levemente ↑ = acidose respiratória aguda sobre crônica. Tto: VNI + ATB + corticoide.

Resumo-Chave

Em pacientes com DPOC, um pH acidótico (7.28) com pCO₂ elevado (58 mmHg) e HCO₃⁻ levemente elevado (26 mEq/L) indica uma acidose respiratória aguda sobreposta a uma acidose crônica previamente compensada. A hipoxemia (pO₂ 50 mmHg) agrava o quadro. A conduta inicial para exacerbação grave de DPOC com insuficiência respiratória hipercápnica é a ventilação não invasiva (VNI) para melhorar a ventilação e reduzir o trabalho respiratório, associada a antibioticoterapia e corticosteroides sistêmicos.

Contexto Educacional

A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) é uma condição progressiva caracterizada por limitação do fluxo aéreo, frequentemente exacerbada por infecções ou outros gatilhos, levando a um quadro de insuficiência respiratória. A acidose respiratória é uma complicação comum nessas exacerbações, podendo ser aguda, crônica ou aguda sobre crônica, dependendo do grau de compensação renal do bicarbonato. A interpretação correta da gasometria arterial é vital para o manejo. No caso de uma acidose respiratória aguda sobreposta à crônica, o paciente com DPOC já possui uma hipercapnia crônica parcialmente compensada. Uma exacerbação leva a um aumento adicional da pCO₂ e uma queda mais acentuada do pH, indicando a falha dos mecanismos compensatórios. Os sinais clínicos incluem dispneia progressiva, tosse produtiva e aumento do trabalho respiratório. A gasometria arterial é a ferramenta diagnóstica chave, revelando pH baixo, pCO₂ elevada e HCO₃⁻ ligeiramente elevado. A conduta terapêutica para uma exacerbação grave de DPOC com acidose respiratória inclui oxigenoterapia (com cautela para evitar supressão do drive respiratório), broncodilatadores, corticosteroides sistêmicos e antibioticoterapia se houver suspeita de infecção. A ventilação não invasiva (VNI) é a intervenção mais importante para reverter a acidose e a hipercapnia, reduzindo a necessidade de intubação e ventilação mecânica invasiva, melhorando o prognóstico do paciente.

Perguntas Frequentes

Como diferenciar acidose respiratória aguda de crônica pela gasometria?

Na acidose respiratória aguda, o pH cai rapidamente com o aumento da pCO₂, e o bicarbonato (HCO₃⁻) permanece próximo do normal. Na crônica, o HCO₃⁻ aumenta significativamente para compensar, elevando o pH para perto do normal. Na aguda sobre crônica, o pH está baixo, a pCO₂ elevada, e o HCO₃⁻ está elevado, mas não o suficiente para normalizar o pH.

Quando a ventilação não invasiva (VNI) é indicada na exacerbação da DPOC?

A VNI é indicada em exacerbações graves da DPOC com insuficiência respiratória hipercápnica (pCO₂ > 45 mmHg) e acidose respiratória (pH < 7.35), dispneia grave, ou sinais de aumento do trabalho respiratório, desde que o paciente esteja consciente e cooperativo.

Qual a conduta terapêutica completa para uma exacerbação grave de DPOC com acidose respiratória?

A conduta inclui oxigenoterapia controlada, broncodilatadores de curta duração (beta-2 agonistas e anticolinérgicos), corticosteroides sistêmicos, antibioticoterapia (se houver sinais de infecção bacteriana) e, crucialmente, ventilação não invasiva (VNI) para corrigir a acidose e a hipercapnia.

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