HAC - Hospital Angelina Caron (PR) — Prova 2020
Paciente idosa, 71 anos, tabagismo > 35 maços/ano, fez uso de diazepam e clorpromazina para dormir em sua casa. Evoluiu na manhã seguinte com muita sonolência, rebaixamento do nível de consciência, com esforço respiratório por obstrução da via aérea por queda do mento. Foi solicitado uma gasometria arterial. Qual dos parâmetros abaixo é mais compatível com o quadro da paciente ?
Sedação excessiva (benzodiazepínicos/antipsicóticos) → hipoventilação → ↑ pCO2, ↓ pH (acidose respiratória).
A paciente apresenta um quadro de depressão do sistema nervoso central e respiratória devido ao uso excessivo de sedativos (diazepam e clorpromazina). Isso leva à hipoventilação, acúmulo de CO2 (hipercapnia) e consequente acidose respiratória. A obstrução da via aérea agrava a hipoventilação e a hipoxemia.
A acidose respiratória é um distúrbio ácido-base caracterizado por um pH arterial baixo e uma pressão parcial de dióxido de carbono (pCO2) elevada, resultante da hipoventilação alveolar. É uma condição comum em pacientes com depressão do sistema nervoso central, doenças pulmonares obstrutivas graves ou distúrbios neuromusculares que afetam a musculatura respiratória. No caso apresentado, a paciente idosa, com histórico de tabagismo e uso de diazepam (benzodiazepínico) e clorpromazina (antipsicótico), apresenta um quadro clássico de depressão respiratória induzida por sedativos. Benzodiazepínicos e antipsicóticos podem deprimir o centro respiratório no tronco cerebral, diminuindo a frequência e profundidade da respiração. A obstrução da via aérea por queda do mento agrava a hipoventilação, levando a um acúmulo ainda maior de CO2. A gasometria arterial compatível com este quadro seria um pH ácido (baixo), pCO2 elevada (hipercapnia) e pO2 baixa (hipoxemia). O bicarbonato pode estar normal ou discretamente elevado, dependendo do grau de compensação renal, que é mais lenta em quadros agudos. A alternativa C (pH=7,20, pCO2=65, pO2=50, HCO3=32) reflete uma acidose respiratória grave com hipoxemia, e um HCO3 elevado que sugere uma tentativa de compensação metabólica, embora o quadro seja predominantemente agudo.
As causas incluem depressão do centro respiratório (por sedativos, opioides, lesões cerebrais), doenças neuromusculares (miastenia gravis, Guillain-Barré) e obstrução grave das vias aéreas superiores ou inferiores.
A acidose respiratória é caracterizada por pH baixo (<7,35) e pCO2 elevada (>45 mmHg). Em casos agudos, o bicarbonato (HCO3) pode estar normal ou levemente elevado devido à compensação renal, que é mais lenta.
O manejo inclui garantir a permeabilidade das vias aéreas, suporte ventilatório (se necessário), administração de antagonistas (como flumazenil para benzodiazepínicos, se indicado e sem contraindicações) e monitoramento rigoroso dos sinais vitais.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo