Distúrbios Ácido-Base Pediátricos: Interpretação Gasométrica

HPP - Hospital Infantil Pequeno Príncipe (PR) — Prova 2020

Enunciado

Paciente de 1 ano chega à emergência com história de diarreia e vômitos, desidratado. Foram colhidos exames com os seguintes resultados: gasometria arterial pH 7,25, pCO2 45 mmHg, pO2 50 mmHg, Sat O2 84%, Bicarbonato 12 mEq/l, BE –10 mEq/l, BB 34 mEq/l; Na 126 mEq/l, K 3,6 mEq/l. Baseados nestes dados qual a alternativa CORRETA?

Alternativas

  1. A) Este paciente apresenta acidose metabólica, hipoxemia e hiponatremia
  2. B) Deve receber solução hipertônica de NaCl a 3% para corrigir o sódio
  3. C) A acidose deve ser corrigida com bicarbonato de sódio em 4 horas
  4. D) O paciente apresenta acidose mista, hipoxemia e pode evoluir com hipocalemia se receber bicarbonato
  5. E) O ideal é corrigir a depleção com soro ao 1⁄2 e ofertar oxigênio

Pérola Clínica

pH baixo (7,25) + HCO3 baixo (12) + pCO2 normal/alto (45) = acidose mista; hipoxemia (pO2 50, SatO2 84%); Na baixo (126).

Resumo-Chave

O pH de 7,25 indica acidemia. O bicarbonato baixo (12) e BE negativo (-10) indicam acidose metabólica. A pCO2 de 45 mmHg, que está no limite superior da normalidade ou levemente elevada para um paciente com acidose metabólica (que deveria compensar com hiperventilação, baixando a pCO2), sugere um componente respiratório (acidose respiratória ou falha na compensação). A pO2 de 50 mmHg e SatO2 de 84% confirmam hipoxemia. O sódio de 126 mEq/l é hiponatremia. A correção da acidose com bicarbonato pode levar à entrada de potássio para dentro da célula, exacerbando uma hipocalemia pré-existente ou induzindo-a.

Contexto Educacional

A interpretação da gasometria arterial é fundamental na emergência pediátrica, especialmente em crianças desidratadas com diarreia e vômitos. O pH de 7,25 indica acidemia. O bicarbonato de 12 mEq/l e o BE de -10 mEq/l confirmam um componente de acidose metabólica. A pCO2 de 45 mmHg, embora dentro da faixa de normalidade para adultos, é elevada para um paciente com acidose metabólica, que deveria estar hiperventilando para compensar, sugerindo um componente de acidose respiratória (acidose mista) ou falha na compensação. A pO2 de 50 mmHg e a SatO2 de 84% caracterizam hipoxemia. O sódio de 126 mEq/l indica hiponatremia. A correção de distúrbios hidroeletrolíticos e ácido-base em crianças desidratadas deve ser feita com cautela. A hiponatremia sintomática pode exigir correção com solução hipertônica, mas a velocidade é crucial para evitar mielinólise pontina. A correção da acidose metabólica com bicarbonato de sódio é controversa e geralmente reservada para acidoses muito graves (pH < 7,1) ou refratárias, pois pode ter efeitos adversos. Um risco importante da administração de bicarbonato é a indução ou exacerbação da hipocalemia. À medida que o bicarbonato eleva o pH extracelular, o potássio se desloca para o interior das células em troca de íons hidrogênio, diminuindo o potássio sérico. Portanto, a monitorização do potássio é essencial. O manejo inicial da desidratação grave inclui reposição volêmica com soro fisiológico 0,9% e correção da hipoxemia com oxigênio suplementar.

Perguntas Frequentes

Como interpretar uma gasometria arterial em um paciente pediátrico desidratado?

A interpretação envolve avaliar o pH (acidemia/alcalemia), pCO2 (componente respiratório), bicarbonato e BE (componente metabólico). Em desidratação, acidose metabólica é comum, e a pCO2 deve ser avaliada em relação ao pH para identificar compensação ou distúrbio misto.

Por que a correção da acidose com bicarbonato pode causar hipocalemia?

A administração de bicarbonato aumenta o pH sanguíneo. Para manter a neutralidade elétrica, o hidrogênio sai da célula e o potássio entra, resultando em uma diminuição do potássio sérico e risco de hipocalemia.

Quais são as principais causas de hipoxemia em crianças com diarreia e vômitos?

A hipoxemia em crianças desidratadas com diarreia e vômitos pode ser multifatorial, incluindo hipovolemia grave levando a má perfusão pulmonar, acidose metabólica grave com depressão respiratória ou, em casos mais graves, pneumonia aspirativa ou sepse.

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