Santa Casa de Votuporanga (SP) — Prova 2020
Paciente de 69 anos foi atendido na urgência com dor abdominal difusa, de 36 horas de evolução. Apresentava-se desconfortável e visivelmente crítico, com a perfusão periférica > 2 segundos. Tinha o sinal Blumberg positivo, FC: 112 bpm, PA: 80X40 mmHg, FR: 16 irpm, leucócitos globais de 16000 (VN 4000 a 12000)/mm³, à gasometria arterial: pH 7,28 PaO₂ 70 mmHg BE de - 9 e Pa CO₂ 49 mmHg. Ureia de 110 mg/dl e creatinina de 2,8. Considerando o caso descrito, o diagnóstico CORRETO dessa gasometria é de:
Gasometria: pH ↓, PaCO2 ↑, BE ↓ → Acidose mista (respiratória + metabólica).
A gasometria apresenta pH baixo (7,28), indicando acidemia. O PaCO2 elevado (49 mmHg) sugere um componente respiratório (acidose respiratória), enquanto o Excesso de Base negativo (-9) e o pH baixo indicam um forte componente metabólico (acidose metabólica). A combinação de acidose respiratória e metabólica resulta em acidose mista.
A interpretação da gasometria arterial é uma habilidade fundamental para qualquer médico, especialmente em situações de urgência e emergência. Os distúrbios ácido-base refletem o estado metabólico e respiratório do paciente e são cruciais para guiar o manejo clínico. A acidose mista, como apresentada no caso, indica a presença simultânea de componentes respiratórios e metabólicos contribuindo para a acidemia. A fisiopatologia dos distúrbios ácido-base envolve a regulação do pH sanguíneo por sistemas tampão, pulmões (controle do CO2) e rins (controle do bicarbonato). No caso, o pH baixo (acidemia) é o ponto de partida. Um PaCO2 elevado indica hipoventilação ou falha respiratória, levando a acidose respiratória. Um Excesso de Base negativo (ou bicarbonato baixo) indica acúmulo de ácidos não voláteis ou perda de bicarbonato, caracterizando acidose metabólica. A coexistência de ambos os fatores leva à acidose mista. O tratamento de uma acidose mista exige a abordagem de ambos os componentes subjacentes. No contexto do paciente descrito, com choque, dor abdominal e sinais de peritonite, a acidose metabólica provavelmente decorre da hipoperfusão tecidual e acúmulo de lactato, enquanto a acidose respiratória pode ser secundária à fadiga muscular respiratória ou depressão do centro respiratório. A conduta adequada envolve ressuscitação volêmica, tratamento da causa subjacente da sepse/choque e, se necessário, suporte ventilatório.
A acidose mista é identificada por um pH baixo (acidemia) com evidências de acidose respiratória (PaCO2 elevado) e acidose metabólica (bicarbonato baixo ou excesso de base negativo). Ambos os componentes contribuem para a acidemia.
O Excesso de Base (BE) é um indicador do componente metabólico do equilíbrio ácido-base. Um BE negativo indica acidose metabólica, enquanto um BE positivo sugere alcalose metabólica.
Condições que causam tanto acidose respiratória (ex: hipoventilação, DPOC exacerbado) quanto acidose metabólica (ex: choque, sepse, cetoacidose, insuficiência renal) podem levar a uma acidose mista, como no caso de um paciente séptico com hipoperfusão e comprometimento respiratório.
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