PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2021
Paciente de 62 anos, sexo masculino, hipertenso controlado com losartana foi submetido a retossigmoidectomia, procedimento anestésico-cirúrgico sem complicações. Durante a permanência na sala de recuperação pós-anestésica foi solicitada a revisão laboratorial com os seguintes resultados: pH 7,28; PaCO₂ 49mmHg; HCO₃ 17mEq/L; EB -6,2mEq/L; Na+ 137mEq/L; CI 96mEq/L; K+ 3,7mEq;L. Considerando as informações acima, o diagnóstico ácido base MAIS PROVÁVEL é:
pH ↓, PaCO2 ↑, HCO3 ↓ = Acidose Mista. Calcular AG para diferenciar causas metabólicas.
O paciente apresenta pH baixo (acidemia), PaCO2 elevada (componente respiratório) e HCO3 baixo (componente metabólico), indicando uma acidose mista. O cálculo do ânion gap (Na - (Cl + HCO3)) é essencial para determinar se o componente metabólico é com ânion gap elevado ou normal.
A interpretação da gasometria arterial é uma habilidade fundamental na medicina de emergência e terapia intensiva. O primeiro passo é avaliar o pH para determinar se há acidemia (<7,35) ou alcalemia (>7,45). Neste caso, pH 7,28 indica acidemia. Em seguida, avalia-se a PaCO₂ e o HCO₃ para identificar os componentes respiratório e metabólico. Uma PaCO₂ elevada (49mmHg, normal 35-45) sugere acidose respiratória, e um HCO₃ baixo (17mEq/L, normal 22-26) sugere acidose metabólica. Como ambos os componentes contribuem para a acidemia, trata-se de uma acidose mista. O próximo passo é calcular o ânion gap (AG) para a acidose metabólica: AG = Na+ - (Cl- + HCO3-). Com Na+ 137, Cl- 96 e HCO3- 17, o AG = 137 - (96 + 17) = 137 - 113 = 24 mEq/L. Um ânion gap de 24 mEq/L está elevado (normal 8-12 mEq/L), indicando que a acidose metabólica é com ânion gap elevado. Portanto, o diagnóstico mais provável é acidose mista com ânion gap elevado. As causas de acidose metabólica com AG elevado incluem cetoacidose, acidose láctica, insuficiência renal e intoxicações. No contexto pós-operatório, a acidose láctica é uma causa comum, especialmente se houver hipoperfusão tecidual.
Um distúrbio misto é sugerido quando o pH, PaCO2 e HCO3 estão todos alterados na mesma direção (ex: pH baixo, PaCO2 alta, HCO3 baixo para acidose mista) ou em direções opostas, sem compensação esperada.
O ânion gap (AG) é calculado por Na+ - (Cl- + HCO3-). Seu valor normal é de 8-12 mEq/L. Um AG elevado sugere acúmulo de ácidos não mensuráveis (ex: lactato, cetoácidos), enquanto um AG normal indica perda de bicarbonato ou ganho de cloreto.
As principais causas incluem cetoacidose (diabética, alcoólica, de jejum), acidose láctica, insuficiência renal, intoxicações (salicilatos, metanol, etilenoglicol).
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