PSU-AL - Processo Seletivo Unificado de Alagoas — Prova 2019
Homem, 20 anos deu entrada no Pronto Socorro obnubilado. Sem passado mórbido de importância. Pressão arterial = 127x70mmHg, sem hipotensão ortostática. As extremidades estão bem perfundidas. O exame neurológico não mostra deficits focais. Exames complementares: Na 138mEq/L, K: 4,2mEq/L, HCO3: 5mEq/L, CI: 104mEq/L, creatinina: 1,0mg/dL, uréia: 14mg/dL, cálcio total corrigido para albumina: 10mg/dL, glicemia: 90mg/dL, gasometria arterial (ar ambiente): PO2 96mmHg, PCO2 15mmHg, pH 7.02 eurinálise: normal. Dentre as opções abaixo, qual é o distúrbio ácido-básico MAIS PROVÁVEL?
pH ↓, HCO3 ↓, PCO2 ↓ + Anion Gap ↑ → Acidose metabólica com hiato aniônico aumentado e compensação.
O paciente apresenta pH 7.02 (acidemia), HCO3 5 mEq/L (acidose metabólica) e PCO2 15 mmHg (compensação respiratória). O cálculo do anion gap (Na - Cl - HCO3 = 138 - 104 - 5 = 29 mEq/L) está aumentado (>12), indicando acidose metabólica com hiato aniônico elevado.
Os distúrbios ácido-básicos são condições clínicas frequentes e complexas, exigindo uma abordagem sistemática para diagnóstico e manejo. A acidose metabólica é caracterizada por uma redução primária do bicarbonato (HCO3-) e do pH arterial. É de suma importância clínica, pois pode indicar uma série de patologias subjacentes graves e, se não corrigida, levar a disfunções orgânicas significativas. A interpretação da gasometria arterial é a pedra angular para o diagnóstico desses distúrbios. A fisiopatologia da acidose metabólica com hiato aniônico aumentado envolve o acúmulo de ácidos orgânicos ou inorgânicos que não são rotineiramente medidos, como lactato, cetoácidos ou toxinas. O cálculo do anion gap é crucial para diferenciar as causas da acidose metabólica. Um anion gap elevado (>12 mEq/L) sugere a presença desses ácidos. A compensação respiratória ocorre através da hiperventilação, que reduz a PCO2, tentando elevar o pH. É fundamental suspeitar de acidose metabólica em pacientes com alterações do nível de consciência, taquipneia ou sintomas inespecíficos. O tratamento da acidose metabólica depende da causa subjacente. A correção da etiologia é a prioridade, seja tratando a cetoacidose, a acidose láctica ou a intoxicação. A administração de bicarbonato de sódio é controversa e geralmente reservada para acidoses graves (pH < 7.1) ou quando há instabilidade hemodinâmica, pois pode ter efeitos adversos. O prognóstico está diretamente relacionado à rapidez e eficácia do tratamento da causa primária.
O hiato aniônico é calculado pela fórmula Na+ - (Cl- + HCO3-). Valores normais geralmente variam de 8 a 12 mEq/L. Um valor acima de 12 indica a presença de ácidos não mensurados.
As causas incluem cetoacidose (diabética, alcoólica, de jejum), acidose láctica, insuficiência renal, intoxicações (salicilatos, metanol, etilenoglicol).
A compensação respiratória é avaliada pela PCO2 esperada. A fórmula de Winter (PCO2 esperada = 1.5 x HCO3 + 8 ± 2) é comumente usada. Se a PCO2 real estiver fora dessa faixa, há um distúrbio respiratório misto.
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