IAMSPE/HSPE - Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público - Hospital do Servidor (SP) — Prova 2022
Um homem de setenta anos de idade, com antecedente pessoal de hipertensão arterial sistêmica de longa data e nefropatia hipertensiva estádio 4, procurou o pronto-socorro devido a mal-estar e à alteração respiratória, pois seus familiares notaram que ele estava ofegante. Sua esposa estava com medo de que fosse covid-19, pois, apesar de respeitarem o isolamento social, o paciente em questão fora ao pronto-atendimento de ortopedia após uma queda em casa, que resultou em um trauma no punho esquerdo, sendo medicado e evoluindo com melhora da dor. Ao exame da chegada, estava taquipneico, com saturação de 95%, ausculta pulmonar e cardíaca sem alterações e PA de 180 x 100. Realizou, também, tomografia de tórax, sem alterações significativas. Com base nesse caso hipotético, deve-se
Paciente com DRC avançada + taquipneia + PA elevada + TC tórax normal → Suspeitar de acidose metabólica urêmica.
Em pacientes com doença renal crônica avançada (estádio 4), a taquipneia e o mal-estar, na ausência de alterações pulmonares ou cardíacas óbvias, devem levantar a suspeita de acidose metabólica urêmica, uma complicação comum que requer avaliação gasométrica e correção.
Pacientes idosos com doença renal crônica (DRC) avançada, como a nefropatia hipertensiva estádio 4, são particularmente vulneráveis a descompensações metabólicas. A capacidade dos rins de excretar ácidos e reabsorver bicarbonato está severamente comprometida, levando ao acúmulo de íons hidrogênio e ao desenvolvimento de acidose metabólica. Esta condição pode se manifestar com sintomas inespecíficos como mal-estar e, notavelmente, taquipneia, que é uma resposta compensatória do organismo para eliminar CO2 e tentar elevar o pH sanguíneo. O diagnóstico da acidose metabólica é feito através da gasometria (arterial ou venosa), que revelará um pH baixo e um bicarbonato sérico reduzido. Em um cenário de pronto-socorro, onde um paciente com DRC avançada apresenta dispneia e taquipneia sem achados pulmonares ou cardíacos evidentes (como na tomografia de tórax e ausculta normais), a suspeita de acidose metabólica urêmica deve ser alta. A hipertensão arterial sistêmica descompensada também é comum nesses pacientes e pode agravar o quadro. O tratamento da acidose metabólica grave envolve a administração de bicarbonato de sódio para elevar o pH sanguíneo e o bicarbonato sérico. É fundamental monitorar de perto o paciente, pois a correção rápida demais ou a sobrecarga de volume podem levar a complicações. Além disso, o manejo da causa subjacente da descompensação renal e o controle da hipertensão são essenciais para a estabilização e o prognóstico a longo prazo.
Pacientes com doença renal crônica e acidose metabólica podem apresentar taquipneia (respiração de Kussmaul), mal-estar, náuseas, vômitos e fraqueza. A dispneia é um sintoma comum, mesmo sem doença pulmonar primária.
A gasometria venosa é crucial para confirmar a acidose metabólica, avaliar a gravidade (pH, bicarbonato, pCO2) e guiar a terapia. Em pacientes com DRC avançada, a capacidade de excretar ácidos é comprometida, levando ao acúmulo e à acidose.
O bicarbonato de sódio é indicado para corrigir a acidose metabólica grave (pH < 7.2 ou bicarbonato < 15 mEq/L) em pacientes urêmicos sintomáticos. A administração deve ser cautelosa, monitorando eletrólitos e o estado volêmico para evitar sobrecarga.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo