Acidose Metabólica na Ureterossigmoidostomia: Fisiopatologia

IDOR - Instituto D'Or de Pesquisa e Ensino - Rede D'Or (RJ) — Prova 2026

Enunciado

Homem de 60 anos, ex-tabagista há 6 meses, quando foi diagnosticado com câncer de bexiga e submetido a cistectomia com ureterossigmoidostomia, comparece ao departamento de emergência em decorrência de dispneia e mal-estar geral. Ao exame físico, o paciente se encontra taquidispneico e hipocorado. Laboratorialmente, apresenta nível sérico de sódio de 138 mEq/L, cloro de 116 mEq/Le potássio de 4 mEq/L. A gasometria arterial evidencia pH de 7,2, com PaO₂ de 120 mmHg, PaCO₂ de 30 mmHg, bicarbonato de 14 mmol/L e BE de -8. Com base no exposto, a provável causa do distúrbio ácido-básico apresentado é:

Alternativas

  1. A) Hiperlactatemia por quadro infeccioso.
  2. B) Hipoaldosteronismo hiporreninêmico.
  3. C) Ureterossigmoidostomia.
  4. D) Uremia.

Pérola Clínica

Ureterossigmoidostomia → Troca de HCO3 por Cl na mucosa colônica → Acidose Metabólica Hiperclorêmica (AG Normal).

Resumo-Chave

A ureterossigmoidostomia expõe a urina à mucosa do cólon, que reabsorve cloreto e secreta bicarbonato, resultando em acidose metabólica com anion gap normal.

Contexto Educacional

A ureterossigmoidostomia é uma forma de derivação urinária interna que, embora menos comum hoje devido às técnicas de reservatórios ileais (como o conduto de Bricker), ainda é relevante em provas e na prática urológica. O principal desafio metabólico dessa cirurgia é a acidose metabólica hiperclorêmica crônica. Fisiopatologicamente, a mucosa intestinal não foi projetada para armazenar urina. A reabsorção ativa de cloreto e amônio, somada à secreção de bicarbonato, altera o equilíbrio ácido-básico sistêmico. No caso clínico apresentado, o paciente tem um Anion Gap de 8 (138 - [116 + 14]), o que confirma uma acidose com hiato aniônico normal, apontando diretamente para a perda de bicarbonato via derivação urinária ou causas renais/digestivas, sendo a ureterossigmoidostomia a causa óbvia no contexto cirúrgico relatado.

Perguntas Frequentes

Por que a ureterossigmoidostomia causa acidose?

Quando os ureteres são implantados no sigmoide, a urina permanece em contato prolongado com a mucosa colônica. O cólon possui transportadores que realizam a troca de cloreto (reabsorção) por bicarbonato (secreção). Além disso, há reabsorção de amônio (NH4+). O resultado final é a perda de base e o ganho de cloro, gerando acidose metabólica hiperclorêmica.

Como diferenciar essa acidose da acidose lática?

A diferenciação é feita pelo cálculo do Anion Gap (AG = Na - [Cl + HCO3]). Na ureterossigmoidostomia, o AG é normal (8-12 mEq/L), pois o aumento do cloro compensa a queda do bicarbonato. Na acidose lática ou uremia, o AG está elevado devido ao acúmulo de ácidos não mensurados.

Quais são os achados laboratoriais típicos nesse caso?

Os achados típicos incluem pH baixo (< 7,35), bicarbonato baixo, PaCO2 reduzida (compensação respiratória), cloro sérico elevado (hipercloremia) e um Anion Gap dentro da faixa de normalidade. O potássio pode estar normal ou baixo devido à secreção colônica associada.

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