UFPI/HU-UFPI - Hospital Universitário do Piauí - Teresina (PI) — Prova 2020
Mulher, 45 anos, diabética tipo 1, foi internada com quadro de disúria, polaciúria, febre e calafrios. Sonolenta, taquidispnéia (FR = 26 insp/min), taquicardia (FR = 110 bat/ min). Gasometria arterial com pH = 7,15; PO2 = 120; pCO2 = 29; HCO3 = 14. Sódio = 138 mEq/L, Cloro = 98 mEq/L; BE – 10. Sobre o distúrbio acido básico desta paciente, considerando Aníon Gap (AG) normal de 12, assinalar opção CORRETA.
AG elevado + Delta AG > Delta HCO3 → Acidose Metabólica + Alcalose Metabólica.
Pacientes com acidose metabólica de AG elevado podem apresentar alcalose metabólica associada (ex: vômitos ou diuréticos), identificada pela relação Delta-Delta.
O manejo de distúrbios ácido-base complexos é rotina em UTIs e emergências. A identificação de uma alcalose metabólica sobreposta a uma acidose de AG elevado (como no caso de uma paciente diabética que pode estar vomitando devido à infecção) altera a percepção da gravidade e a reposição volêmica. A fisiopatologia envolve o acúmulo de ácidos orgânicos (elevando o AG) e a perda de prótons ou ganho de bicarbonato (gerando a alcalose). O reconhecimento precoce evita iatrogenias e direciona o tratamento da causa base.
O Anion Gap (AG) é calculado pela fórmula: Na - (Cl + HCO3). O valor normal situa-se em torno de 12 mEq/L. Um AG elevado indica a presença de ânions não mensurados no plasma, como lactato, cetoácidos (acetoacetato, beta-hidroxibutirato), fosfatos ou toxinas. No caso clínico, o AG de 26 (138 - [98+14]) confirma uma acidose metabólica com hiato aniônico aumentado, compatível com cetoacidose diabética ou sepse.
A relação Delta-Delta compara o aumento do Anion Gap (Delta AG = AG medido - 12) com a queda do bicarbonato (Delta HCO3 = 24 - HCO3 medido). Se o Delta AG for significativamente maior que o Delta HCO3 (razão > 1.2), significa que o bicarbonato está 'mais alto' do que o esperado para aquela acidose, indicando uma alcalose metabólica associada. No caso: Delta AG = 14 e Delta HCO3 = 10, confirmando a alcalose metabólica sobreposta.
A compensação respiratória é avaliada pela Fórmula de Winter: pCO2 esperada = (1.5 x HCO3) + 8 ± 2. Se a pCO2 medida estiver dentro do intervalo, a compensação é adequada. No caso apresentado, para um HCO3 de 14, a pCO2 esperada seria entre 27 e 31. Como a pCO2 medida foi 29, a compensação respiratória está perfeita, descartando distúrbios respiratórios primários.
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