Acidose Metabólica com Anion Gap Elevado: Diagnóstico e Causas

HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2022

Enunciado

A avaliação laboratorial de uma mulher de 34 anos está representada a seguir. pH = 7,21 (VR = 7,35-7,45); Bicarbonato = 14 mmol/L (VR = 22-26); PaO2 = 30 mmHg (VR = 35-45); PaO2 = 107 mmHg (VR = 80-100); Sódio = 136 mEq/L (VR = 135-145); Cloro = 100 mmol/L (VR = 98-107). Assinale a alternativa que representa a causa mais provável do distúrbio metabólico.

Alternativas

  1. A) Acidose metabólica por hiper-hidratação com solução fisiológica.
  2. B) Intoxicação por inibidores da anidrase carbônica.
  3. C) Broncopneumonia com acidose respiratória.
  4. D) Hipoaldosteronismo.
  5. E) Choque séptico.

Pérola Clínica

pH ↓, HCO3 ↓, PaCO2 ↓ (compensação), Anion Gap ↑ → Acidose Metabólica com AG Elevado. Choque séptico é causa comum.

Resumo-Chave

A paciente apresenta acidose metabólica com anion gap elevado (22 mEq/L), caracterizada por pH baixo e bicarbonato baixo, com compensação respiratória (PaCO2 baixo). A causa mais provável é a acidose láctica tipo A, frequentemente associada a estados de hipoperfusão tecidual, como no choque séptico, onde há aumento da produção de lactato devido ao metabolismo anaeróbio.

Contexto Educacional

A acidose metabólica é um distúrbio ácido-base comum na prática clínica, especialmente em pacientes graves. Sua correta identificação e classificação, particularmente em relação ao anion gap, são cruciais para o diagnóstico etiológico e manejo adequado. A acidose láctica, uma das principais causas de acidose metabólica com anion gap elevado, é frequentemente um marcador de hipoperfusão tecidual e disfunção orgânica, como no choque séptico. A fisiopatologia da acidose metabólica com anion gap elevado envolve a acumulação de ácidos não voláteis que não são cloreto, como lactato, cetoácidos ou toxinas. A interpretação da gasometria arterial, incluindo pH, PaCO2 e bicarbonato, juntamente com os eletrólitos séricos (sódio e cloro) para o cálculo do anion gap, permite identificar o tipo de distúrbio e direcionar a investigação da causa subjacente. A compensação respiratória, manifestada por uma PaCO2 reduzida, é um mecanismo fisiológico para tentar normalizar o pH. O tratamento da acidose metabólica é primariamente o tratamento da causa subjacente. No caso de choque séptico, isso envolve ressuscitação volêmica, antibióticos e, se necessário, vasopressores para restaurar a perfusão tecidual e reverter a acidose láctica. A correção do distúrbio ácido-base é fundamental para otimizar a função orgânica e melhorar o prognóstico do paciente.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais laboratoriais de acidose metabólica com anion gap elevado?

Os principais sinais incluem pH arterial abaixo de 7,35, bicarbonato sérico abaixo de 22 mmol/L, e um anion gap calculado (Na - [Cl + HCO3]) acima de 12 mEq/L. Geralmente há também uma PaCO2 reduzida como mecanismo compensatório.

Por que o choque séptico causa acidose metabólica com anion gap elevado?

No choque séptico, a hipoperfusão tecidual leva à diminuição da oferta de oxigênio às células. Isso força o metabolismo celular a mudar para a via anaeróbia, resultando em superprodução de lactato, que é um ânion não medido, elevando o anion gap e causando acidose láctica.

Como diferenciar acidose metabólica com anion gap elevado de outras acidoses?

A diferenciação é feita principalmente pelo cálculo do anion gap. Acidose metabólica hiperclorêmica, por exemplo, apresenta anion gap normal. As causas de AG elevado incluem cetoacidose, acidose láctica, insuficiência renal e intoxicações específicas.

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