HASP - Hospital Adventista de São Paulo — Prova 2022
Paciente de 64 anos, feminina, com diagnóstico de doença renal crônica CF 4 secundária a nefropatia diabética, procura o serviço ambulatorial para acompanhamento adequado. Os exames complementares mostravam: Uréia: 89mg/dL; Creatinina: 2,8 mg/dL; hemoglobina: 10,7g/dL; Sódio plasmático: 135 mEq/L; Potássio plasmático: 4,5 mEq/L; Cloro plasmático: 98 mEq/L; Gasometria venosa: pH: 7,28; Bicarbonato: 18 mEq/L; PCO2: 33 mmHg. Em relação ao distúrbio ácido-base desse paciente qual é a alternativa correta?
Acidose metabólica com AG ↑: Na - (Cl + HCO3) > 12. DRC é causa comum.
Em pacientes com doença renal crônica, a acidose metabólica é comum devido à diminuição da excreção de ácidos e da produção de bicarbonato. O cálculo do anion gap é crucial para diferenciar as causas e guiar o manejo, sendo frequentemente elevado na DRC avançada.
A acidose metabólica é um distúrbio ácido-base comum, caracterizado por pH baixo e bicarbonato sérico reduzido. Sua etiologia é classificada pelo anion gap (AG), que ajuda a diferenciar causas com acúmulo de ácidos não mensurados (AG elevado) daquelas com perda de bicarbonato ou ganho de cloro (AG normal ou hiperclorêmica). A doença renal crônica (DRC) é uma causa frequente de acidose metabólica, especialmente com AG elevado em estágios avançados, devido à diminuição da excreção de íons hidrogênio e da reabsorção/produção de bicarbonato pelos rins. O diagnóstico preciso envolve a interpretação da gasometria arterial ou venosa, cálculo do anion gap e avaliação da compensação respiratória. A compensação é um mecanismo fisiológico onde o sistema respiratório tenta normalizar o pH, alterando a PCO2. A fórmula de Winter é uma ferramenta útil para determinar se a compensação é apropriada ou se há um distúrbio misto. O tratamento da acidose metabólica na DRC foca na correção da causa subjacente e, se necessário, na administração de bicarbonato. O manejo adequado é crucial para prevenir complicações como osteodistrofia renal, progressão da doença renal e desnutrição. Residentes devem dominar a interpretação desses distúrbios para um manejo clínico eficaz.
O anion gap (AG) é calculado como Na+ - (Cl- + HCO3-). Um AG elevado (>12 mEq/L) sugere acúmulo de ácidos não mensurados, como na cetoacidose, acidose lática ou insuficiência renal.
As causas mais comuns incluem cetoacidose (diabética, alcoólica, de jejum), acidose lática, insuficiência renal (DRC), intoxicações (metanol, etilenoglicol, salicilatos) e rabdomiólise.
A compensação respiratória é avaliada pela fórmula de Winter: PCO2 esperada = (1.5 x HCO3-) + 8 ± 2. Se o PCO2 medido estiver fora dessa faixa, há um distúrbio respiratório associado.
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