Acidose Metabólica com Anion Gap Elevado: Causas e Diagnóstico

HE Jayme Neves - Hospital Escola Jayme dos Santos Neves (ES) — Prova 2024

Enunciado

Paciente 45 anos, sexo masculino internado na UTI com quadro de queda do estado geral ha 3 dias, associada a febre não aferida, náuseas, vômitos. Internado na UTI, com rebaixamento do nível de consciência, com necessidade de AVM. Apresenta a seguinte gasometria: pH 7,27 bicarbonato 16 mmol/l PaCO2 30 mmHg, PaO2 90 mmHg, sódio 136 mEq/l potássio 4,2 mEq/l cloro 102 mEq/l. Sobre o caso podemos afirmar:

Alternativas

  1. A) Na investigação adicional, a dosagem de aldosterona, glicemia e hormônios tireoidianos devem ser solicitadas.
  2. B) O bicarbonato de sódio deve ser administrado, independente da etiologia do distúrbio encontrado. 
  3. C) A hiperlactatemia, injúria renal aguda e intoxicação exógena, são possíveis causas para o distúrbio encontrado.
  4. D) A presença de distúrbio respiratório associado pode estar relacionada à assistência ventilatória mecânica.

Pérola Clínica

pH 7.27, HCO3 16, Na 136, Cl 102 → AG = 18 (elevado) → Acidose Metabólica com Anion Gap Elevado.

Resumo-Chave

A gasometria revela acidose metabólica (pH baixo, HCO3 baixo) com anion gap elevado (18 mEq/L). Isso aponta para uma produção ou acúmulo de ácidos não voláteis, sendo hiperlactatemia, injúria renal aguda e intoxicações exógenas causas comuns e importantes a serem investigadas.

Contexto Educacional

A interpretação de distúrbios ácido-base, especialmente a acidose metabólica, é uma habilidade fundamental para residentes e médicos intensivistas. A acidose metabólica é caracterizada por um pH arterial baixo e uma redução primária do bicarbonato sérico. O cálculo do anion gap (AG) é o passo inicial e mais crítico na investigação etiológica, diferenciando entre acidoses com AG elevado e AG normal. Um AG elevado, como no caso apresentado (18 mEq/L), sugere a presença de ácidos não voláteis que consomem o bicarbonato. As causas mais comuns incluem acidose lática (tipo A por hipoperfusão ou tipo B por outras condições), cetoacidose (diabética, alcoólica, de jejum), insuficiência renal aguda ou crônica e intoxicações exógenas (ex: salicilatos, metanol, etilenoglicol). O tratamento da acidose metabólica deve ser direcionado à causa subjacente, e a administração de bicarbonato de sódio é geralmente reservada para casos de acidose grave, com pH < 7.1, devido aos potenciais efeitos adversos e à falta de evidências de benefício em todos os cenários. A compreensão aprofundada desses conceitos é essencial para o manejo adequado de pacientes críticos e para a aprovação em provas de residência.

Perguntas Frequentes

Como calcular o anion gap e qual sua importância na acidose metabólica?

O anion gap é calculado por Na+ - (Cl- + HCO3-). Seu valor normal varia entre 8-12 mEq/L. Na acidose metabólica, um anion gap elevado indica acúmulo de ácidos não medidos, como lactato, cetoácidos ou toxinas, enquanto um anion gap normal sugere perda de bicarbonato ou ganho de cloro.

Quais são as principais causas de acidose metabólica com anion gap elevado?

As principais causas de acidose metabólica com anion gap elevado incluem cetoacidose (diabética, alcoólica, de jejum), acidose lática (hipoperfusão, sepse, insuficiência hepática), insuficiência renal aguda ou crônica e intoxicações exógenas (salicilatos, metanol, etilenoglicol).

Quando o bicarbonato de sódio deve ser administrado na acidose metabólica?

A administração de bicarbonato de sódio na acidose metabólica é controversa e geralmente reservada para acidoses graves (pH < 7.1) ou em situações específicas como cetoacidose diabética grave. Não deve ser administrado indiscriminadamente, pois pode ter efeitos adversos e não trata a causa subjacente.

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