UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2025
Mulher de 70 anos, com diagnóstico de síndrome coronariana aguda com supra de segmento ST, internada em UTI com ventilação mecânica. Laboratoriais: Na: 140 mEq/L; K: 6 mEq/L; Bicarbonato: 8 mEq/L; pH: 7,1; pCO2: 42mmHg; albumina: 2,4 g/dL; Cloro: 90 mEq/L; lactato: 12 mmol/L, excesso de bases: –14 mEq/L. Segundo os dados, os diagnósticos gasométricos dessa paciente são:
pCO2 > esperada → Acidose Respiratória. Delta-Gap > 1.6 → Alcalose Metabólica associada.
A análise sistemática revela acidose metabólica (HCO3 baixo) com AG elevado (lactato), acidose respiratória (pCO2 acima da compensação) e alcalose metabólica (Delta-Gap elevado).
A interpretação de gasometrias em pacientes com choque cardiogênico (como no IAM com supra ST) exige rigor. A acidose metabólica com AG elevado é explicada pelo lactato de 12 mmol/L (hipoperfusão). A acidose respiratória ocorre pela falha da bomba ventilatória ou congestão pulmonar grave, impedindo a compensação esperada. O diagnóstico de alcalose metabólica concomitante é puramente matemático através do Delta-Delta. Se a variação do Anion Gap é muito superior à variação do bicarbonato, significa que havia um excesso de base prévio. Identificar esses distúrbios triplos é fundamental para o manejo hemodinâmico e ventilatório preciso no ambiente de terapia intensiva.
Pela fórmula de Winter para acidose metabólica: pCO2 esperada = (1,5 x HCO3) + 8 ± 2. Com HCO3 de 8, a pCO2 deveria estar entre 18-22 mmHg. Como a pCO2 real é 42 mmHg, há uma acidose respiratória concomitante (falha ventilatória).
O Delta-Gap (ΔAG / ΔHCO3) compara o aumento do AG com a queda do bicarbonato. Um valor > 1.6 sugere que o bicarbonato está mais alto do que o esperado para aquela acidose, indicando uma alcalose metabólica associada (ex: uso de diuréticos ou vômitos).
A albumina é a principal carga negativa não medida do plasma. Para cada 1 g/dL de queda na albumina abaixo de 4.5, o AG 'normal' cai cerca de 2.5 mEq/L. Sem essa correção, um AG elevado pode parecer normal em pacientes desnutridos ou críticos.
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