SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2015
Homem, 22 anos de idade, previamente hígido, é internado na UTI com quadro de febre, dor em flanco D e hematúria há uma semana. Fez uso de antibiótico - sulfametoxazol + trimetoprima - em casa, por 3 dias, sem melhora. Nas últimas 24 horas informa que teve redução da diurese. Ao exame físico, sonolento, febril, taquipneico, FC: 100 bpm, PA: 90 x 50 mmHg, giordano positivo à D. Exames laboratoriais apresentam leucograma de 15.800/mm³ com 8% de bastões. Ureia: 120 mg%; Cr: 2,0 mg%; pH: 7,3; pCO2: 28 mmHg; HCO3: 14 mEq/L; pO2: 84; NA: 148 mEq/L; Cl: 76 mEq/L. Diante do quadro apresentado, indique a alteração do equilíbrio acidobásico presente.
pH ↓, HCO3 ↓, pCO2 ↓ (compensado) + Anion Gap ↑ = Acidose metabólica com anion gap elevado.
O paciente apresenta acidemia (pH 7,3), bicarbonato baixo (14 mEq/L) e pCO2 baixo (28 mmHg), indicando uma acidose metabólica com compensação respiratória. O cálculo do anion gap (Na - (Cl + HCO3)) revela um valor elevado (58), sugerindo causas como insuficiência renal, cetoacidose ou intoxicações.
O equilíbrio acidobásico é um dos pilares da fisiologia e sua alteração pode ser um marcador de gravidade em diversas condições clínicas. A acidose metabólica é caracterizada por uma redução primária do bicarbonato (HCO3-) e do pH, com compensação respiratória através da hiperventilação, que reduz a pCO2. A avaliação de um distúrbio acidobásico requer a análise sequencial do pH, pCO2 e HCO3-. Em casos de acidose metabólica, o cálculo do anion gap (AG) é fundamental para diferenciar as causas. Um AG elevado indica a presença de ácidos não mensuráveis, enquanto um AG normal sugere perda de bicarbonato ou excesso de cloreto. A interpretação correta do equilíbrio acidobásico é crucial para o manejo de pacientes críticos, como o apresentado no caso, que exibe sinais de sepse e insuficiência renal aguda. A identificação da acidose metabólica com anion gap elevado direciona a investigação para as causas subjacentes e permite a instituição de tratamento específico, como a correção da causa da acidose láctica ou da insuficiência renal.
O anion gap é calculado por Na+ - (Cl- + HCO3-). Um anion gap elevado (>12 mEq/L) sugere a presença de ácidos não mensuráveis, como lactato, cetoácidos ou toxinas, sendo crucial para o diagnóstico diferencial da acidose metabólica.
As causas mais comuns incluem cetoacidose (diabética, alcoólica, de jejum), acidose láctica (choque, sepse), insuficiência renal aguda ou crônica, e intoxicações (metanol, etilenoglicol, salicilatos).
A compensação respiratória pode ser avaliada pela fórmula de Winter: pCO2 esperado = (1.5 x HCO3-) + 8 ± 2. Se o pCO2 medido estiver fora dessa faixa, um distúrbio respiratório primário concomitante deve ser considerado.
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